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Marcelo Sales's Blog

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Muitas vezes, a adoção da Internet das Coisas aparece ligada ao surgimento de novos golpes cibernéticos, mas pouco se fala sobre as fraudes que essa tecnologia vem combater

 

No início desse ano, tive contato com uma pesquisa do IDC que apontava que o IoT movimentaria R$ 8 bilhões de dólares esse ano no Brasil. E, ao longo do ano, acompanhei diversas notícias sobre a adoção dessa tecnologia por aqui. Ou seja, a Internet das Coisas não é mais só um assunto sobre o qual vamos discorrer e discutir – ela já está presente no nosso dia a dia. E, ainda que se fale muito no mercado sobre as possíveis fraudes ou golpes que podem acontecer com os dispositivos conectados, apenas 5% das empresas na nossa região veem a segurança como um desafio na adoção deles.

 

Mais do que isso, eu, particularmente, vejo uma vantagem no combate às fraudes para empresas e setores que já estão usando o IoT.

 

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Fonte: pixabay.com

 

IoT e criptografia aliados no campo

Em um http://tiinside.com.br/tiinside/home/internet/07/03/2018/uso-de-blockchain-e-iot-no-campo-pode-evitar-fraudes-no-agronegocio-diz-especialista/artigo publicado na TI Inside, sobre blockchain e IoT, o Gerson Rolim, CIO da The Data Company, afirmou que seria possível evitar fraudes como as descobertas na operação “Carne Fraca” com o uso do IoT. Ele defende que com a Internet das Coisas ligando de ponta-a-ponta a produção agrícola e pecuária, e com os dados obtidos no processo sendo armazenados de forma criptografada, a adulteração de dados seria impossível – e facilmente rastreável.

 

O que me parece é que quando falamos de conectar dispositivos, logo acendemos uma luz vermelha, levando em consideração que os dados estarão não só conectados à internet – o que já apresenta um risco eminente – mas espalhados, o que tornaria mais difícil o controle sobre eles. No entanto, ao associar o IoT à criptografia e, ainda mais como sugere Rolim, ao blockchain, as fraudes podem ser reduzidas à praticamente zero.

 

O desafio da água no mundo e as fraudes ligadas à nossa rede

A tecnologia é um dos grandes aliados da sustentabilidade. Com ela, tem sido possível fazer projetos de cidades e casas inteligentes, nas quais os recursos naturais são poupados. Uma das grandes aplicabilidades do IoT nesses projetos tem relação com a perda de água.

 

Hoje, de acordo com o http://www.snis.gov.br/diagnostico-agua-e-esgotos/diagnostico-ae-2016relatório anual do SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento), o Brasil perde 38% da água nos canais de distribuição. Essa perda vem por falhas e problemas na rede, por desperdícios e, muito também, por fraudes e ligações clandestinas.

 

Porém, com sensores de ponta a ponta, ligados a sistemas robustos de processamentos de dados, estas últimas tornam-se muito mais difíceis de acontecer, ou mesmo, mais fáceis de detectar. O mesmo vale para as perdas de energia. É possível, por exemplo, ligar os sensores a redes LoRa (de grande alcance e baixo consumo) e monitorar a medição, o fluxo e a perda em tempo real.

 

Associado ao machine learning, um grande aliado dos varejistas

Mais um caso de aplicabilidade conjunto que, acredito, veremos muito em breve em ação é a Internet das Coisas associada ao machine learning. Ora, se as máquinas estão aprendendo, o fluxo de dados para que isso aconteça vem de algum lugar – e por que não dos dispositivos conectados?

 

Essa já é uma realidade que algumas startups voltadas ao varejo estão propondo. No momento de uma compra, por exemplo, se seu sistema de pagamentos faz um simples cruzamento de dados, digamos, com a base do Serasa, é possível detectar e apontar uma possível fraude.

 

Carros conectados levando mais inteligência ao setor de seguros

Para finalizar essa lista, vale falar sobre a segurança que os carros conectados podem nos dar – e como também podem agilizar os negócios das seguradoras. Além de sabermos os melhores trajetos e monitorarmos a manutenção do nosso veículo mais proximamente, os chips embarcados podem nos dar a localização exata do automóvel, além de comunicar os últimos trajetos feitos.

 

Do ponto de vista do segurador, a vantagem é óbvia. Com um monitoramento do carro segurado, além de um perfil mais detalhado e realista do condutor, é possível combater fraudes.

 

Estes são só alguns exemplos de como a Internet das Coisas pode ser encarada como uma evolução no quesito segurança da informação. É claro que, assim como as novas tecnologias, novos tipos de fraude podem surgir, mas a inteligência em combinar a captação e processamento de dados de maneira inteligente, minimiza os riscos, além de melhorar as cadeias de produção e de entregas de serviços.

Mais de dois milhões de terabytes de novos dados são criados a cada dia no mundo. Como usá-los com a devida eficiência?

 

O uso da análise de dados para guiar tomadas de decisão não é uma prática nova, mas vem se aprimorando a cada dia, com o uso de plataformas e ferramentas digitais. Muitas empresas já perceberam seus benefícios, e por isso elas vem ganhando espaço, principalmente no mercado varejista. Os hábitos dos consumidores, seja no mundo real ou virtual, se transformam em dados que podem ser captados de diversas maneiras, e têm se tornado uma verdadeira joia para quem sabe lidar com eles. A loja de departamento americana Macy’s, que trabalha com cerca de 73 milhões de produtos, gera relatórios com informações sobre eles a cada 26 horas, utilizando dados coletados em seus estabelecimentos. E muitas outras empresas do segmento estão seguindo o exemplo e reinventando suas táticas de vendas.

 

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De acordo com o Gartner, mais de dois milhões de terabytes de novos dados são criados a cada dia no mundo. Se bem explorados, eles podem fornecer insights importantes para tomadas de decisões para profissionais de diversos setores. E uma das primeiras áreas a perceber isso e adotar ferramentas de análise e monitoramento foi o marketing. Segundo estudo realizado pela Global DMA e pela consultoria Winterberry Group, 73% dos profissionais brasileiros acreditam que o marketing orientado por dados tem grande representatividade nos negócios.

 

Ao analisar dados que podem ser captados de diversas maneiras, é possível prever o comportamento do consumidor e entender o que o levou a concluir ou desistir de uma compra. Ao entender essas atitudes, fica mais fácil pensar em ações para reverter esse cenário e atrair de volta esse cliente, além de fidelizar e garantir ele se lembre sempre da marca e da boa experiência que teve com ela. Segundo a McKinsey, nos próximos cinco anos, as empresas com crescimento mais rápido usarão métodos de análise avançada e técnicas de machine learning para lidar com aspectos estratégicos fundamentais, como quais recursos alocar e quais comportamentos priorizar para impulsionar a produtividade de vendas.

 

Um bom exemplo de como essa análise de informações pode ser assertiva foi contado no livro “O Poder do Hábito”. Ao fazer monitoramentos para antecipar comportamentos de seus consumidores, outra grande empresa varejista norte-americana conseguiu identificar antes da própria família que uma mulher estava grávida, tamanha a assertividade da análise do comportamento da consumidora. Isso porque ela parou de comprar absorventes femininos e passou a se interessar mais por produtos que indicavam uma possível gravidez. Esses e outros motivos tornam a análise de dados tão promissora, e por isso a prática tem sido amplamente adotada pelos varejistas.

 

O uso dessas ferramentas vai muito além de proporcionar uma experiência melhor ao consumidor.Também pode ajudar toda a cadeia de produção a trabalhar melhor e de maneira eficiente. Ao analisar dados, é possível saber, por exemplo, se o solo está propício ao plantio de determinadas sementes, se precisa de adubação ou se possui a umidade adequada. É possível rever decisões e priorizar o plantio de um alimento cuja semente tem mais probabilidade de se adequar ao solo no momento. Assim, é viável não só aproveitar os recursos naturais, como produzir mais e melhor.

 

Além disso, as ferramentas analíticas também permitem monitorar as condições de armazenagem. Ou seja, é possível saber se um alimento estocado está se deteriorando devido à situação do local onde está guardado. Assim é possível coletar informações que permitam otimizar o transporte, e consequentemente, reduzir custos e melhorar a distribuição.

 

A inteligência de dados não só está impactando a forma como produzimos hoje, mas como produziremos no futuro. Isso porque a tecnologia afetará diretamente o desenvolvimento de novos produtos, já que os avanços nessa área ajudam a prever a aceitação de um lançamento antes que ele seja produzido. Com isso a indústria deixa de investir na fabricação de coisas fadadas ao fracasso.

Em resumo, usar a inteligência de dados nos ajudará a lidar com as demandas por consumo de forma mais assertiva, e assim, não só controlar a produção para evitar perdas como também administrar melhor os bens já produzidos. Em um mundo que sofre com o desperdício de alimentos e matéria prima, aprender a gerenciar produções e consumo pode fazer a diferença e reduzir os impactos causados pela produção industrial no meio ambiente.

Até 2050, seremos quase 10 bilhões de pessoas no mundo; a tecnologia da informação pode ajudar a otimizar o cultivo, mas ainda é preciso repensar a infraestrutura de telecomunicações

 

por Marcelo Sales*

 

A transformação digital e a consequente transição para a Indústria 4.0 chegarão, cedo ou tarde, a todos os lugares, inclusive no campo. Prova disso é que, nos últimos anos, ouvimos falar bastante sobre a agricultura de precisão, que está associado à utilização de dispositivos e soluções tecnológicas avançadas para suportar o desenvolvimento da atividade, com base nas condições e na alteração do solo e do clima, dentre outros fatores. Mas é preciso ir além. Com isso, a discussão sobre o uso dos dados no poder de decisão nos negócios também atinge a agricultura.

 

A necessidade do setor por essa evolução tem uma origem clara: é impossível manter o desmatamento para o aumento das áreas de cultivo agropecuário, na tentativa perigosa de responder ao crescimento da população mundial - de acordo com dados da ONU, o planeta terá 8,6 bilhões de pessoas em 2030 e 9,8 bilhões em 2050. Além disso, o perfil nutricional de países populosos, como Índia e China, tende a apresentar o aumento no consumo de proteína animal, por consequência das mudanças socioeconômicas.

 

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Produzir alimentos para garantir o sustento desse enorme contingente significa, assim, potencializar os resultados das regiões que já são exploradas. Ou seja, é preciso aumentar a produtividade. Nesse contexto, destaca-se o uso de inteligência artificial, machine learning, deep learning, engenharia de dados, big data, blockchain e internet das coisas - sem contar outras tecnologias ainda mais avançadas que, certamente, surgirão com o decorrer do tempo.

 

A guinada da agricultura de precisão em direção à agricultura da informação pressupõe o cruzamento de dados oriundos de diversas fontes e de acordo com culturas vegetais que requerem determinados tipos de solo, previsão climática, sementes e outras questões que contribuem para a tomada de decisão a favor do aumento de produtividade.

 

Mas, como toda novidade que precisa se assentar, ainda é preciso promover avanços para criar a agricultura digital, especialmente em termos de conectividade e telecomunicações. Grande parte dos dados serão provenientes das modernas máquinas agrícolas, muitas delas já equipadas com sensores e dispositivos de IoT – mas que precisam estar conectadas para poder entregar seu potencial pleno. No entanto, o modelo regulatório de telecomunicações existente pouco incentiva empresas tradicionais do ramo a levar seus serviços para o campo. Em países pequenos, como Japão e Holanda, por exemplo, é mais fácil utilizar a rede pública de telecomunicações nas fazendas, mas, em países extensos como o Brasil - com quilômetros sem qualquer sinal de comunicação -, o desafio é grande.

 

Iniciar um debate sobre regulações governamentais, a fim de que as propriedades rurais consigam ter pontos de comunicação, torna-se urgente. Mas talvez não seja possível esperar e, possivelmente, o setor agrícola terá que se organizar por si mesmo. Nenhuma novidade até aí, isso já foi feito antes - ao exemplo da eletrificação rural entre as décadas de 1980 e 1990.

 

É possível que vejamos em breve cooperativas de infraestrutura sendo criadas para levar a conectividade ao campo. Assim, será possível habilitar o desenvolvimento de uma infraestrutura de TI robusta, com acesso à internet e à nuvem - o básico para ultrapassarmos as barreiras iniciais da Quarta Revolução Industrial, nesse caso, aplicada à agricultura.

 

*Marcelo Sales é Diretor de Arquitetura e Pré-vendas da Hitachi Vantara LATAM

De acordo com informações do Gartner, os gastos mundiais em segurança da IoT alcançarão US$ 1,5 bilhão ao final de 2018

 

por Marcelo Sales*

 

Eu me deparo, diariamente, com um ou dois novos textos sobre segurança da informação. E há uma única explicação para isso: esse é, e continuará sendo, um tema fundamental para o desenvolvimento da tecnologia. Pode parecer repetitivo, mas falar sobre normas e técnicas que visam proteger a sociedade, agora digital, é uma preocupação cada vez mais crítica.

 

Recentemente, entrou em vigor o Regulamento Geral de Proteção de Dados (General Data Protection Regulation, ou GDPR), conjunto de leis da União Europeia que afeta empresas de todos os portes que atuam na Europa ou têm relação com a região. No Brasil, a Lei Geral de Proteção dos Dados foi aprovada no Senado e encaminhada para a sanção presidencial, em julho. Em ambos os casos, as regras visam proteger os dados de cidadãos, fixando regras de uso dessas informações por parte de empresas e órgãos públicos.

 

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O Gartner prediz que, até 2021, a conformidade normativa se tornará o principal influenciador da adoção de segurança de IoT. Isso porque os ataques baseados em Internet das Coisas já são uma realidade: de acordo com uma recente pesquisa desenvolvida pela consultoria, quase 20% das organizações participantes observaram pelo menos um ataque baseado em IoT nos últimos três anos.

 

Imagine espalhar inúmeros sensores por uma fábrica, a fim de captar dados e  tomar decisões a partir deles, e ter essa informação alterada por alguma falha de segurança.. Uma escolha errada será feita -  e isso não pode acontecer.  Esse tipo de cenário tem impacto direto nos custos: espera-se que, ao final de 2018, os gastos mundiais em segurança da IoT, especificamente, atinjam US$ 1,5 bilhão, um aumento de 28% em relação aos gastos de US$ 1,2 bilhão do ano passado, também de acordo com o Gartner. 

 

Na prática, não estamos mais no campo das novidades e há um volume gigantesco de dados que deixou de ser acessório para se tornar crítico. E pesquisas como a do Gartner apenas comprovam que a preocupação com a segurança da informação continua elevada para acompanhar o avanço tecnológico -  que será cada vez mais rápido de agora em diante.

 

*Marcelo Sales é Diretor de Arquitetura e Pré-vendas da Hitachi Vantara LATAM

Compreender o real significado dos dados para o negócio é o caminho para identificar os impactos positivos para o desenvolvimento das organizações no futuro

 

por Marcelo Sales*

 

Na corrida por excelência na relação com o cliente e no ganho por competitividade, as empresas que sabem extrair valor dos dados estão na liderança. Um recente estudo do Gartner identificou que as organizações acreditam que a baixa qualidade dos dados é responsável por uma média de US$ 15 milhões em prejuízos, por ano.

 

Pode parecer repetitivo, mas o ponto central está justamente na possibilidade de compreender o significado por trás desse montante de dados gerados nos negócios. Vale destacar que não falo apenas dos elementos provenientes de dispositivos conectados, mas também da possibilidade de compreender, em tempo real, o nível de estresse de um cliente que liga para resolver um problema, tornando o processo de resolução mais ágil e eficiente para ambos, cliente e empresa.

 

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Ter a capacidade de reunir, organizar, governar e interpretar altos volumes de dados - provenientes de diferentes fontes - de maneira ágil é a resposta para criar estratégias de negócios que podem ser críticas para o sucesso da organização no futuro.

 

Os benefícios podem ser vistos em diferentes segmentos de mercado:

 

  • Na manufatura, novas eficiências são projetadas em toda a cadeia de suprimentos, desde a entrega just-in-time de matérias-primas até experiência gratificante e de fidelização para o cliente final no ponto de venda;
  • Na saúde, o atendimento ao paciente é transformado ao disponibilizar dados de alta qualidade, em tempo real, sempre que necessário;
  • No varejo, as cadeias de suprimentos podem ser otimizadas e os clientes podem ter experiências de compra mais personalizadas;
  • Nos serviços bancários e financeiros, a experiência do cliente pode ser ainda mais personalizada, ajudando a reduzir a rotatividade e construir receitas com vendas cruzadas de produtos e serviços adicionais;

 

Na prática, essa estratégia fornece insights mais profundos sobre o negócio, melhorando a produtividade, agilizando o desenvolvimento de inovações e reduzindo os custos.

 

*Marcelo Sales é Diretor de Produtos e Soluções da Hitachi Vantara LATAM

Para o diretor associado de TI da Tsys, Marcelo Zaniboni, a satisfação do cliente final é o principal motivador da transformação digital

 

por Marcelo Sales*

 

Garantir a satisfação do atual cliente, ao mesmo tempo em que se busca por novas oportunidades de negócios, é o grande propósito da transformação digital, de acordo com o meu xará Marcelo Zaniboni, diretor associado de TI da Tsys. Focada no setor financeiro, a empresa embarcou em uma missão interna de renovação tecnológica como preparação para uma mudança profunda e estrutural.

 

Em entrevista para este blog, Zaniboni fala sobre como a renovação tecnológica corrobora a intenção da empresa de alcançar novos negócios.

 

Marcelo, entendendo que a transformação é um elemento intrínseco de nossa sociedade como um todo, qual é a sua visão sobre o peso dessa renovação no setor financeiro, em especial no Brasil?

 

Marcelo Zaniboni - Eu diria que, na área financeira, estamos presenciando uma mudança positiva de empoderamento do cliente e do usuário final. Até pouco tempo atrás, o cliente estava refém de poucas opções disponíveis no mercado, todas muito similares, muito caras e de difícil acesso, o que explica o grande número de pessoas ainda não bancarizadas no Brasil.

 

Com o exponencial avanço de tecnologias e smartphones, as coisas começaram a mudar. As pessoas de veia empreendedora querem romper com esse status e buscam alternativas mais acessíveis, que revolucionam o mercado, abrindo espaço para o surgimento de fintechs. São negócios e startups que estão à disposição 24 horas por dia, sete dias por semana,  e para a toda a população.

 

Hoje, existem soluções que tornam o processo de pagar uma conta mais simples, ágil e barato do que costumava ser há dez anos. Para as empresas, isso significa o poder de alcançar mais satisfação do cliente, redução de custos e outros benefícios que, fundamentalmente, transformam o negócio. Vivemos um momento muito interessante.

 

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É justamente por isso que, recentemente, a Tsys passou por uma reestruturação tecnológica, certo?

 

MZ - Sim, esse período de transformação digital traz muita oportunidade para novos negócios, mas é preciso planejar para executar. O que percebemos, na prática, é que, para continuar expandindo a nossa capacidade de serviço sem fazer investimentos significativos, e ao mesmo tempo baixar o custo de aquisição do equipamento, precisávamos de mais flexibilidade.

 

Então, a base da nossa transformação é a flexibilidade. Mas, aos poucos, estamos deixando todo o nosso legado para trás, renovando a nossa arquitetura de sistemas, abraçando novas tecnologias e construindo um novo data center. No fim, o mercado e os próprios clientes exigem que a empresa mude, caso contrário, será impossível suportar o crescimento do negócio e a demanda dos clientes na era digital.

 

Eu vejo diariamente as transformações acontecendo por conta da tecnologia, mas gosto sempre do olhar externo, especialmente dos especialistas de verticais. Quais mudanças você destaca, na prática?

 

MZ - Na prática, é a velocidade com que as coisas acontecem.  Por exemplo, o tempo de resposta no

processamento das transações foi reduzido em 32%, algo que é imperceptível ao cliente, mas é uma melhoria importante para garantir que a transação aconteça.

O propósito de ter uma elaborada base tecnológica de alta performance é ser mais ágil. E penso que o mais importante de tudo é a satisfação do cliente final. A tecnologia não precisa ser complexa, mas sim uma extensão de qualquer ação natural, como respirar e piscar os olhos. Isso enquanto nós, é claro, seguimos pensando em novas formas de negócios.

 

Parece-me que você encara esse momento, que é, ao mesmo tempo, um desafio e uma oportunidade, com entusiasmo. Sei, por experiência própria, que a mudança de mindset de toda a equipe é importante para encarar a digitalização. Qual é a sua experiência , como líder, nessa virada de cultura?

 

MZ - Nós estamos passamos por uma transformação digital, mas primeiro nós precisávamos garantir que o clientes estivessem no centro de nossas ações. E isso acontece há muito tempo. A preocupação com a satisfação do cliente está no DNA dos nossos colaboradores e está incutida em nossa cultura. Mas agora, mais do que nunca, não existem justificativas para falhas de sistemas, erros de transação, de segurança e outros problemas. Nós estamos lidando com momentos especiais das pessoas, então, a nossa arquitetura de sistemas, o nosso banco de dados e a nossa infraestrutura precisam garantir que o serviço seja entregue com excelência.

 

*Marcelo Sales é Diretor de Arquitetura e Pré-vendas da Hitachi Vantara LATAM

De acordo com um levantamento da McKinsey, vender tornou-se uma ciência de dados e tecnologia

 

por Marcelo Sales*

 

Falamos constantemente que a revolução tecnológica transforma toda a sociedade e as empresas. E isso inclui também a forma de fazer negócios. Segundo um levantamento da McKinsey, o processo de vendas corporativo evoluiu de patamar, passando de arte para ciência.

 

Quem nunca ouviu falar que, para ser um vendedor, é preciso ter talento? Pois, na era digital, vocação não basta. As vendas, no geral, são orientadas por dados e análises avançadas, gerados por meio de ferramentas digitais que ajudam a identificar “o quê, por que e quando” do consumidor. A análise aponta que as empresas que já iniciaram essa técnica chamada de “ciência das vendas B2B” e começaram a superar seus concorrentes de mercado: elas aumentaram em 2,3 vezes o crescimento médio da receita; 3% a 5% o retorno adicional sobre vendas, em relação aos competidores;  e 8% o retorno total aos acionistas do que, também, a média do setor.

 

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Com o uso da internet das coisas, big data e analytics, é possível desenvolver novas oportunidade de vendas. Segundo a McKinsey, nos próximos cinco anos, as empresas com crescimento mais rápido usarão métodos de análise avançada e técnicas de machine learning para lidar com aspectos estratégicos fundamentais, como quais recursos alocar e quais comportamentos priorizar para impulsionar a produtividade de vendas.

 

A partir dessas informações, os líderes se tornam capazes de traçar um perfil de cada cliente, utilizando, ainda, fontes externas, como notícias, dados financeiros públicos e mídias sociais, com o objetivo de ter uma visão integral do consumidor.

 

O estudo ainda aponta que “a análise avançada e o conhecimento cognitivo das máquinas dão acesso a quantidades de dados e capacidade computacional sem precedentes históricos, permitindo-lhes prever com alto grau de precisão as possibilidades de vendas mais valiosas”.

 

Na prática, isso quer dizer que a análise avançada também demanda uma combinação entre  pessoas certas e negócios certos. Além de usar tecnologias, organizações de vanguarda estão associando dados de vendas, clientes e RH para entender as características que estão, estatisticamente, relacionadas com o desempenho de vendas diferenciado.

 

Fala-se de histórico profissional, educação, traços de personalidade, capacidade cognitiva, assim como frequência e duração da interação com o cliente, tempo dedicado a planejamento de vendas, habilidades de escuta, persistência, assunção de riscos e outros aspectos que podem ser definidos pelas empresas.

 

Esse olhar vale tanto para o cenário B2B, quanto para o B2C. Veja o cenário varejista, por exemplo, que já utiliza um conjunto de tecnologias voltadas a fazer venda direcionada, como smart spaces, vídeo inteligência, hot spots e vídeos analíticos e comportamentais, que resultam em milhares de dados passíveis de análises para insights.

 

Com esse tipo de conhecimento, as empresas podem identificar as melhores estratégias para fazer uma venda e tornar a experiência do cliente cada vez mais única e personalizada. No fim, a arte nos negócios será resultado de uma combinação entre habilidade, ciência e tecnologia.

 

*Marcelo Sales é Diretor de Arquitetura e Pré-vendas da Hitachi Vantara LATAM

Para o especialista Cezar Taurion, as empresas não podem mais esperar que o cliente se ajuste à oferta; esse é o primeiro passo da transformação digital

 

por Marcelo Sales*

 

Há alguns anos, com a expansão do uso de smartphones, as empresas passaram a falar do movimento Bring Your Own Device (BYOD, ou traga o seu próprio dispositivo), que provocou inúmeras discussões sobre renovação da arquitetura de sistemas e segurança da informação. Com a mesma rapidez com que surgiu, esse termo caiu em desuso, dando lugar a novas tecnologias e tendências. É o caso da Inteligência Artificial (IA), que, de todas as tecnologias debatidas na atualidade, possui o maior potencial disruptivo.

 

Da mesma forma que o BYOD mexeu com as estruturas tecnológicas corporativas, a IA, ao conquistar os usuários, estimula um novo debate: o que será necessário para que empresas e usuários finais se adaptem a esse mundo que une inteligência humana e artificial? Na visão do consultor e presidente do Instituto de Inteligência Artificial Aplicada (i2a2), Cezar Taurion, assim como os smartphones tornaram-se, rapidamente, parte do nosso dia a dia, em poucos anos, estaremos tão acostumados com a IA.

 

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Entenda a percepção do especialista na entrevista que ele concedeu a este blog:

 

Cezar, a inteligência artificial não afeta apenas as empresas, e a sociedade como um todo, que já está sendo transformada. Mas de que forma a massificação do uso da IA pelo usuário final vai impactar a arquitetura de tecnologia das empresas?

 

Cezar Taurion - A inteligência artificial, de alguma forma, já está em nosso dia a dia,  mesmo que a gente não perceba, por conta de aplicativos como Netflix, Amazon e Uber. Nos próximos cinco a dez anos, com o seu desenvolvimento, outros dispositivos e aplicações ganharão ainda mais força, especialmente no dia a dia organizacional. E isso implica ter a visão clara de que o cliente está no centro do negócio, ou seja, esse é o primeiro passo para entender como a massificação de IA vai mudar o ambiente das organizações.

 

O modelo que guia as empresas, hoje, ainda é o inside out, aquele em que o cliente se ajusta ao que a empresa oferece. É raro, ainda, encontrar organizações que façam o caminho inverso. Essa transformação será a base para entender outras mudanças que esse cenário demanda.

 

Nesse contexto, a arquitetura tecnológica precisa ser extremamente ágil e flexível. Ainda existem empresas que acreditam no paradigma de que qualidade não coexiste com velocidade, mas, como bem sabemos, no mundo digital, tudo está em constante variação. Além disso, é preciso se antecipar às necessidades do cliente o máximo possível, algo que os algoritmos preditivos já permitem fazer.

 

E sob o aspecto de gestão de segurança da informação? O que muda com o surgimento de novas leis, como o GDPR (General Data Protection Regulation, ou Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados)?

 

CT - Segurança da informação sempre será um tema crítico. A tecnologia baseada em dados evoluiu rapidamente e sem a preocupação adequada. Essas leis - como o GDPR, o próprio Marco Civil da Internet, de 2014, e a recente Lei Geral de Proteção de Dados do Brasil - visam garantir que os dados não sejam usados de forma indevida, mantendo a privacidade dos mesmos.

 

A verdade é que todo mundo, de alguma forma, é vigiado 24 horas por dia por conta da internet das coisas e de tecnologias baseadas em ciência de dados e analytics. O ponto central está em saber como balancear a privacidade e a funcionalidade, e essas regras ajudam nisso.

 

No lado empresarial, a equipe de segurança da informação vai ter cada vez mais trabalho, obviamente, para garantir a proteção do ambiente corporativo e dos dados críticos da empresa. As políticas precisam estar sempre atualizadas, mitigando riscos e garantindo atualizações contínuas, especialmente na era da IA.

 

Quais são os principais desafios que devem ser superados, hoje, para que as empresas consigam absorver o real valor da inteligência artificial?

 

CT - O primeiro desafio das organizações é compreender que estamos no mundo digital. Ponto. Por incrível que pareça, a grande maioria das empresas ainda não sabe o que é esse mundo. A transformação digital não trata apenas de tecnologia, mas também de transformação dos negócios por meio da tecnologia. O que mais se vê no mercado, entretanto, são empresas que se dizem digitais, mas não possuem um negócio verdadeiramente digital porque não pensam de maneira digital.

 

Costumo usar um exemplo clássico: em 1910, Henry Ford desenvolveu o primeiro modelo de linha de produção de montagem, um clássico que foi reproduzido no mundo todo durante anos. É de se pensar que, com tanta evolução tecnológica, esse modelo inexiste em fábricas de produção, mas se formos a uma grande montadora, hoje, o modelo continua o mesmo, com a única diferença de que as pessoas foram substituídas por robôs. Percebe que isso não é transformação digital? É apenas automação.

 

Falar de inovação, inteligência artificial e mudança de mentalidade no negócio é ir sempre além. Voltando ao exemplo de produção automobilística, esse ir além pode ser usar impressoras 3D para imprimir carros personalizados, com as características do comprador, por exemplo. Falo de uma empresa real. Isso é inovador e transforma a sociedade.

 

É claro que essas mudanças não acontecem de um dia para o outro. A tecnologia permite fazer várias coisas diferentes e a convergência entre múltiplas opções resulta em possibilidades extraordinárias. Combine tudo isso com o avanço da IA e os insights que os dados podem fornecer e veremos disrupções acontecendo na prática, com mais celeridade. Mas é preciso ter visão do negócio no futuro e senso de urgência para saber como utilizar essas informações de maneira sagaz.

 

Estamos atrasados?

 

CT - Olha, essas mudanças vão acontecer, de uma forma ou de outra. Em cinco ou dez anos, nós não estaremos falando sobre inteligência artificial, porque esse conceito já será inerente à nossa sociedade. A evolução é exponencial e os próximos 20 anos apresentarão mudanças tão ou mais disruptivas das que vivemos nas últimas seis décadas. Mas não adianta falarmos sobre inteligência artificial e dados se os profissionais ainda não compreenderam que eles precisam olhar para o negócio de uma forma diferente. O ponto de virada já passou há muito tempo: ou muda, ou se perde.

 

*Marcelo Sales é Diretor de Arquitetura e Pré-vendas da Hitachi Vantara LATAM

A modernização de data centers está diretamente relacionada ao progresso da jornada de dados e permite que as organizações e as pessoas arrisquem e inovem mais

 

por Marcelo Sales*

 

A modernização de data centers é um passo essencial na jornada de dados, que está a cada dia mais integrada com a estratégia de negócios das organizações. Em uma recente conversa com o meu colega de Hitachi Vantara, Paul Lewis, vice-presidente global de indústria e arquitetura corporativa da empresa, ele lembrou que esse movimento envolve não só a aquisição de recursos tecnológicos, mas também a diversificação da estratégia de TI, com uso de hardware e software para resolução de problemas de negócios.

 

Leia abaixo alguns dos principais tópicos de nossa conversa:

 

Marcelo -  Paul, por que é tão importante falar sobre a modernização do data center?

 

O objetivo fundamental da estratégia de modernização do data center é liberar o valor dos dados por meio da integração de silos de dados. A ideia é mudar, fundamentalmente, a perspectiva dos dados, que ainda são considerados apenas “efeito colateral” de um aplicativo, por exemplo, ganhando valor real para o propósito e objetivo da organização de TI.

 

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Marcelo - E de que maneira a inteligência artificial contribui para evitar perdas de dados ou riscos de inatividade, por exemplo?

 

Paul - Existem desafios óbvios com a operação de um data center. Muitas funções tendem a ser táticas e reativas: verificar o desempenho de um aplicativo somente depois de um problema ser informado por um usuário final; adicionar capacidade à infraestrutura apenas quando um projeto o exige; ou, ainda, identificar o limite de armazenamento só quando o alerta sinaliza 90% de uso. Ao envolver milhares de aplicativos, servidores ou bancos de dados, as operações de um data center podem se tornar apenas resoluções de problemas, funcionando para apagar incêndios.

 

Ao adicionar inteligência artificial às operações do data center, é possível produzir um ciclo de monitoramento e automação para problemas comuns e recorrentes. Além disso, a IA ajudaria a analisar, constantemente, os recursos para identificar riscos e otimizar o desempenho, reunir análises para melhorar a tomada de decisões e definir o planejamento orçamentário. A automação, então, recomendaria ações com base nas melhores práticas e forneceria reparos, conforme necessário, garantindo uma implementação consistente.

 

Marcelo - Aliás, falar sobre dados é falar também sobre segurança da informação. Sabemos que empresas do mundo todo se viram compelidas a investir em cibersegurança, recentemente, com o início da vigência do Regulamento Geral de Proteção de Dados (General Data Protection Regulation, ou GDPR) - lei da União Europeia que atinge também as organizações que atuam, de alguma forma, na região. Como você avalia essa questão?

 

Paul - Existe certa distinção entre os conceitos de privacidade de dados, segurança de dados e proteção de dados - que são agrupados sob um mesmo guarda-chuva de governança de dados. Essas diferenças passam por segurança física e lógica, gerenciamento e classificação de dados, recuperação operacional ou de desastres, privacidade e cumprimento de auditoria normativa e até o gerenciamento do ciclo de vida dos dados.

 

A proteção de dados é complicada. A realização de backups e recuperações costumava ser rotineira quando a infraestrutura de TI era razoavelmente simples e homogênea. Primeiro, existem muitos tipos de dados, aplicativos e plataformas (físicas, virtuais, nuvem) e cada um requer métodos e processos específicos para proteger os dados corretamente, geralmente exigindo scripts ou fazendo interface com APIs. Depois, há os diferentes tipos de ameaças, sendo que cada uma delas demanda uma abordagem diferente para proteção e recuperação.

 

O mesmo acontece com locais diferentes - data centers, sedes regionais, escritórios remotos e filiais -, cada um com diferentes níveis de requisitos e de habilidades locais disponíveis. Ou seja, nem todos os dados têm a mesma origem de formação, o que significa que a sua leitura e compreensão vai precisar de serviços diferentes. É por isso que são criados os Objetivos do Nível de Serviço (Service Level Objectives, ou  SLOs), definidos para atender às necessidades, às vezes contraditórias, do negócio.

 

Finalmente, há sempre a limitação do orçamento. A aplicação das melhores técnicas de proteção pode ser custosa. Por isso, utilize as melhores e mais rápidas apenas no caso dos dados mais críticos - e use recursos menos dispendiosos para dados menos importantes.

 

Nenhuma tecnologia ou solução funciona para tudo, por isso, você precisa de uma estratégia diversificada: backup completo, incremental ou uma combinação de ambos; a Proteção Contínua de Dados (PCD), que captura todas as alterações à medida que são gravadas no disco; além das tecnologias instantâneas e de replicação. O armazenamento em nuvem também está se tornando um alvo popular, embora potencialmente arriscado, para backup e arquivamento.

 

Já a privacidade de dados é a combinação de implementação de ferramentas, processos e informações para manter a propriedade e o controle dos dados do cliente. E, finalmente, a segurança de dados está em diversos processos: físico, lógico, em repouso, no transporte e, é claro, se estende além da organização em fornecedores e ecossistema como um todo. A segurança cibernética implementou tecnologias de IA para detecção de intrusos, ou análise de séries de eventos combinados, além de rastrear agentes de origem e avaliar o impacto técnico ou comercial do roubo.

 

Marcelo - Veja, Paul, o cenário norte americano é, ainda, bastante diferente do cenário latino americano. Em sua visão, as empresas estão preparadas para essa modernização ou ainda precisam finalizar alguma “lição de casa” antes de partirem, efetivamente, para tecnologias mais inteligentes?

 

Paul - Como acontece com a maioria das mudanças tecnológicas ou inovações, existe um amplo espectro de prontidão e capacidade. Em termos de prontidão, a organização pode ter situações monetárias ou econômicas que focalizam as atenções em “manter as luzes acesas”.

 

Algumas organizações podem contar com centenas ou milhares de funcionários de longa data, de modo que o gerenciamento esteja voltado a programas relacionados à reciclagem, melhoria de qualificações ou substituição da equipe. Algumas organizações dividem a TI em “executar” e “construir”, ou até mesmo em um terceiro pilar, o de “inovar” - o Gartner denomina essa divisão como TI Bimodal, ou dividida em modos 1 e 2. Essas organizações dividem sua atenção na manutenção da empresa a longo prazo e na criação de estratégias para modernizar os negócios.

 

Felizmente, a modernização não tende a ser um projeto de grande escala, que perdura por vários anos. Se implementada em um programa de inovação, a modernização costuma acontecer na dinâmica “falhe e conserte de maneira rápida”, com equipes ágeis e focadas na criação de valor real para o negócio. A inovação é um ambiente experimental e de expansão, que garante que você não precise efetuar grandes mudanças ou fazer muita lição de casa para implementar soluções mais novas e inteligentes.

 

Marcelo -  O que a modernização de data centers significa para o avanço de uma sociedade que - muito provavelmente - será organizada a partir dos insights produzidos por dados?

 

Paul - A modernização dos data centers tem um impacto social.  Os custos com data centers, por exemplo, são muito altos, mas a modernização permite tornar esse processo mais eficaz em dois momentos: primeiro, no gerenciamento do uso da energia; segundo, no resfriamento do data center, que é essencial para que todo o processo funcione corretamente. Ou seja, de maneira simples, torna-se possível usar menos energia elétrica no data center e, até mesmo, escolher opções alternativas - como eólica e solar -, também reduzindo ou eliminando emissões energéticas.

 

Além disso, um data center modernizado permite a consolidação de edifícios e pessoas em equipes menores, abrindo espaço para outros empreendimentos. E, por fim, possibilita que as pessoas tirem o foco de operações e tarefas tediosas e concentrem suas energias em projetos inovadores. As pessoas podem, agora, ter tempo para inventar um caminho melhor.

 

*Marcelo Sales é Diretor de Arquitetura e Pré-vendas da Hitachi Vantara LATAM

Extrair valor dos dados, o que representa a última fase dessa caminhada,  requer o compromisso com alguns passos anteriores e elementares. Veja quais são eles

 

por Marcelo Sales*

 

A jornada de dados tornou-se um dos assuntos mais debatidos no processo de transformação digital. Essa caminhada dos negócios, que chamo de stairway to value (escada para o valor), precisa ser percorrida fase a fase, de forma que todos os aspectos essenciais sejam contemplados e que a organização se prepare, efetivamente, para aproveitar os insights que serão gerados na última milha do percurso. 

 

Antes de tudo, é preciso fazer a lição de casa, ou seja, a organização e preparação dos dados recolhidos de diversas fontes, sejam elas estruturadas ou não-estruturadas. Trata-se do momento propício para que empresas e profissionais aprendam a lidar com os dados e, a partir disso, a conduzir as etapas seguintes - armazenar, enriquecer, ativar e monetizar as informações provenientes.

 

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Veja, há poucos anos, as bases de dados existiam apenas para armazenamento. Hoje, esses recursos são fundamentais para dar corpo à transformação digital, uma vez que a matéria-prima de informações valiosas para os negócios estará lá. E para extrair vantagem desse futuro moldado pelos dados, precisamos nos atentar a alguns pilares. Abaixo, destaquei quatro deles.

 

Modernização do data center - é o primeiro passo para a otimização do armazenamento e processamento de dados. É preciso garantir que a infraestrutura tecnológica seja flexível e que funcione para diversas aplicações e ambientes multicloud, permitindo, por exemplo, a inserção de futuras tecnologias que facilitarão a utilização dos dados. Resumindo, a infraestrutura de TI deve ser ágil e não pode ser um fator limitador para a transformação digital

 

Governança de dados inteligente - entram, nesse pilar, as soluções e ferramentas que permitem simplificar a conformidade dos dados e protegê-los onde quer que estejam – on premise ou na nuvem. Com a governança, os dados não-estruturados e, por vezes, chamados de obscuros, tornam-se mais claros, muito em função  do trabalho do engenheiros de dados. Além disso, entram em cena os metadados, ou dados sobre dados, que permitem compreender informações que são inteligíveis apenas por computadores.

 

Insights gerados a partir dos dados - após a estruturação, a ciência de dados entra com profissionais especializados, que podem auxiliar na leitura e extração de informações e valores do que, antes, era uma matéria bruta, aparentemente sem valor. Nesse momento, torna-se possível unir os conhecimentos humano e artificial para a tomada de decisões assertivas para o negócio.

 

Monetização dos dados – esse é o estado da arte onde, além de aumentar a eficiência da tomada de decisão via insights, os dados permitem também a geração de valor financeiro, seja com a criação de novas fontes de receita ou mesmo pela da redução de custos e riscos.

 

O principal desafio, hoje, é ter os quatro pilares em funcionamento, algo que, por si só, requer a superação de obstáculos. E não há alternativa.  A transformação digital é um caminho sem volta, que vai demandar cada vez mais acuracidade para criar novos mercados e responder a demandas criadas com o surgimento das novas tecnologias. Enquanto isso, os desafios comuns continuam: enfrentar a concorrência, buscar aumento de receita e redução de custo, gerenciar riscos. Esse é o nosso novo mundo.

 

*Marcelo Sales é Diretor de Arquitetura e Pré-vendas da Hitachi Vantara LATAM

O Gartner aponta que 2,3 milhões de vagas serão criadas até 2020; o ponto é que tipo de profissional o mercado irá demandar

 

por Marcelo Sales*

 

A transformação é um fator inerente à sociedade, que evolui e se reorganiza de tempos em tempos. Essas mudanças sempre afetaram - e continuarão afetando - o mercado de trabalho, que enfrenta falta de mão obra especializada, aumento exponencial de demissões, entre outras consequências da revisão do modelo de emprego. No entanto, a transição atual é mais profunda e complexa do que as anteriores - o que significa, também, que traz impactos ainda maiores.

 

Com a digitalização e o desenvolvimento da tecnologia e da inteligência artificial, muitos cargos serão completamente eliminados em uma velocidade nunca vista em nenhum processo evolutivo. Mas isso não pressupõe que os seres humanos serão completamente substituídos por máquinas.

 

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O Gartner, por exemplo, aponta que, a partir de 2020, a inteligência artificial criará mais vagas de empregos do que eliminará. A predição diz que, ao passo em que 1,8 milhão de vagas serão extintas, 2,3 milhões de cargos serão originados durante o período, o que será fundamental na reforma das dinâmicas do mercado de trabalho.

 

Duas tendências, em especial, apontam mudanças no perfil profissional:

 

  1. Há uma grande preocupação com a manutenção de empregos intelectuais e cognitivos. A questão é que não existe inteligência artificial sem pessoas. O ser humano continuará sendo importante, mas as competências exigidas do profissional serão outras.
  2. A curva de aceleração das mudanças, na comparação com outros períodos, é exponencial e impulsionada pelo rápido desenvolvimento da  tecnologia e do conhecimento.

 

Ambos os aspectos chamam atenção para um assunto debatido há anos: as competências serão mais importantes do que o diploma em si. E isso é ótimo, porque desafia a nossa capacidade de pensar, organizar e promover mudanças. Formações como as de engenheiro de dados e cientista de dados, por exemplo, não possuem um curso específico, são pessoas que buscaram algo além da universidade. Elas pesquisaram e adquiriram conhecimento de outras fontes de aprendizagem, como a prática

 

Comunicar, escrever, entender sobre história e filosofia serão alicerces para toda e qualquer formação. As competências - técnicas, estratégicas, profissionais e até mesmo pessoais - serão desenvolvidas ao longo da vida. E as pessoas que lutarem contra a inatividade aproveitarão as oportunidades desse mercado em constante autorregulação.

 

*Marcelo Sales é Diretor de Arquitetura e Pré-vendas da Hitachi Vantara LATAM

Essa transição demanda mudanças estruturais e estratégicas para a empresa, considerando mercado e o cenário em que está inserida

 

por Marcelo Sales*

 

A Internet das Coisas (Internet of Things, ou IoT) é resultado da convergência entre a tecnologia da informação (TI) e a tecnologia de operação (TO). Esse encontro de conhecimentos surgiu há alguns anos com a evolução do conceito Máquina a Máquina (Machine to Machine, ou M2M), como destaca um recente estudo desenvolvido pela ABI Research.

 

Essa evolução - que acontece justamente para quebrar as barreiras entre os mundos físico e digital - demanda uma transformação de mindset para empresas que, há poucos anos, olhavam para as duas áreas separadamente. Como aponta a pesquisa, na prática, “a integração é feita quando os sistemas de TI são utilizados para os objetivos de TO, ou seja, consolidando fluxos de dados para suportar a tomada de decisões e aumentar a inteligência em várias partes do negócio”.

 

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Duas das principais conclusões definidas na pesquisa apontam que:

 

  • A integração entre TI e TO deve ser conduzida pela equipe de TI, ao mesmo tempo em que é incentivada pela liderança;
  • Organizações devem achar o equilíbrio entre a estrutura de informática distribuída (que é dividida em vários “nós” de processamento) e consolidada, de forma que atenda aos custos estruturais e arquiteturas de sistema;

 

No entanto, a convergência entre tecnologia da informação e de operação demanda a transformação das empresas e do cenário em que elas estão inseridas. Isso acontece porque, dificilmente, elas conseguirão, sozinhas, fazer o ciclo completo do IoT, que é o resultado dessa integração desde o sensoriamento na ponta até a entrega de valor para a área de negócio.

 

É por isso que esse ponto de virada exige a criação de ecossistemas no mercado, com parcerias estratégicas que atendam aos requisitos mandatórios dessa jornada. A união e o compartilhamento estarão mais fortes do que nunca na era da internet das coisas.

 

*Marcelo Sales é Diretor de Arquitetura e Pré-vendas da Hitachi Vantara LATAM

 

 

Apesar das inúmeras discussões sobre a importância da TI nos negócios, muitas empresas ainda a veem como uma simples área de custo. E essa visão não tem futuro.

 

por Marcelo Sales*

 

A corrida contra o tempo para criar empresas digitais e gerar inteligência a partir dos dados tem como premissa a inovação. Esse é um pilar imprescindível na tentativa de ganhar competitividade e expandir as frentes de negócio. No entanto, antes de realizar projetos de natureza inovadora, e até mesmo para viabilizar a adoção de tecnologias disruptivas, a TI precisa se renovar.

 

Essa reestruturação demanda uma mudança no mindset de profissionais e executivos da organização como um todo. Recente, pesquisa desenvolvida pela Robert Half com mais de 2 mil CFOs, apontou que muita burocracia (30%) e a necessidade de lidar com tarefas diárias e emergências (27%) são as principais barreiras à inovação. Esses problemas ocorrem em toda e qualquer área, mas, dentro da TI, ganham um peso diferente, justamente porque vivemos na era digital. E não tratar esses e outros desafios com a importância que merecem pode condenar a área à estagnação.

 

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Uma das principais discussões no mercado é que, em alguns anos, a TI não será mais como conhecemos. E isso certamente ocorrerá, não apenas porque torná-la estratégica tornou-se requisito mandatório, mas também porque as organizações necessitam de suporte para pensar, cada vez mais, em novas formas de inovar.

 

Entre os caminhos para integrar a TI operacional com a estratégica, o Gartner criou o conceito de TI Bimodal, que divide a área em duas partes. No modo 1, a atuação é previsível e busca melhorar e renovar tarefas já comuns e bem compreendidas pela TI; o modo 2, entretanto, é exploratório, experimentando para implementar tendências e resolver novos problemas.

 

Nem todo o mundo acredita nessa divisão de área, mas, para algumas companhias, ela pode, realmente, ser uma alternativa Ainda assim, ela apresenta problemas, pois exige dois esforços distintos. Apesar das inúmeras discussões sobre a importância da TI para transformar as organizações, muitas ainda a veem como uma simples área de custo. Portanto, esse conceito pode ser visto apenas como uma ação que requer mais recursos.

 

É por isso que, para não barrar a inovação, a TI deve ficar próxima das áreas de negócio. Na verdade, diversos conhecimentos da TI devem ser absorvidos por profissionais de todas as áreas da empresa, para que a tecnologia, verdadeiramente, suporte o negócio.

 

O mundo caminha para uma realidade 100% digital, ou seja, todos nós, independentemente de área de atuação, teremos que conhecer preceitos básicos da TI. Nos negócios, interagir com a tecnologia será um pré-requisito, pois, em um futuro muito próximo, eles estarão calcados nessa relação. E mais: a velocidade com que as coisas acontecem e se transformam não permitirá que nenhuma área fique estagnada. Não sabemos onde toda essa evolução vai parar, se a TI será completamente diluída em outros setores ou não. O certo é que, por mais árduo que seja o caminho, ele é o que é.

 

*Marcelo Sales é Diretor de Arquitetura e Pré-vendas da Hitachi Vantara LATAM

Até o final de 2018, os investimentos em dispositivos conectados devem chegar a US$ 722 bilhões; esse avanço continua demandando a transformação da TI, para chegar, finalmente, à estratégia baseada em dados

 

por Marcelo Sales*

 

Construir uma estratégia baseada em dados depende de uma série de mudanças  dentro das organizações. Afinal, a área de TI não é a única a se transformar; todo o negócio precisa estar preparado. Uma tendência cada vez mais concreta e que impulsiona essa necessidade é a Internet das Coisas (Internet of Things, ou IoT). A IDC prediz que o investimento em dispositivos conectados e inteligentes chegarão a U$S 722 bilhões até o final de 2018.

 

Com objetos conectados, o potencial para gerar e gerir dados é muito maior do que tudo que já vimos. Para ter uma ideia do que será esse ponto de ruptura, basta olhar para a transformação do mundo após a criação de um único dispositivo conectado, o smartphone. Com ele, os seres humanos passaram a produzir dez vezes mais informações do que faziam com aparelhos analógicos, por conta do uso das redes sociais e dos aplicativos de comunicação instantânea, por exemplo.

 

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Ao aplicar o conceito de dispositivos inteligentes em âmbitos muito maiores, como o de indústrias, a produção de dados pode ser até 100 vezes maior (ou até mais) do que o existente hoje. Tudo porque uma diversidade de sistemas, ferramentas e objetos passam, também, a produzir e armazenar informações. Alguns mercados investirão mais do que outros, neste momento, de acordo com a IDC. A expectativa é que as indústrias de manufatura (R$ 189 bilhões), transporte (R$ 85 bilhões) e utilities (R$ 73 bilhões) sejam as que mais gastem com IoT em 2018.

 

Nesse cenário, começa a ganhar força conceitos que representam a descentralização da TI, como edge computing (que distribui o armazenamento e o processamento de dados) e fog computing (computação de névoa, em tradução livre, que permite o processamento e a análise de dados para a tomada de decisões antes mesmo da transmissão). No passado, controlar e gerir os processos era uma tarefa mais simples, que justificava os esforços centralizados. No mundo IoT, porém, é preciso facilitar a tomada de decisões em toda a organização, colocando a estratégia de dados em prática.

 

Mas atenção: não adianta aderir a novas soluções apenas para seguir o fluxo do mercado. É importante analisar o que será, verdadeiramente, interessante para a empresa e quais são as facilidades provenientes da internet das coisas. É válido lembrar que, por um lado, a tecnologia habilita; por outro, apresenta desafios, que sempre acompanharão a evolução.

 

*Marcelo Sales é Diretor de Arquitetura e Pré-vendas da Hitachi Vantara LATAM

Para Sergio Lozinsky, sócio-fundador da Lozinsky Consultoria, a transformação digital requer, antes de tudo, definição da estratégia e reestruturação do negócio

 

por Marcelo Sales*

 

A jornada digital está apenas no começo. Discutimos os efeitos da transformação nos mais diferentes setores de mercado, passando pela aplicação de tecnologias disruptivas, como inteligência artificial, e do uso de dados para geração de insights para os negócios. No entanto, antes de percorrer, efetivamente, as etapas mais avançadas desse caminho, existe o desafio de compreender as mudanças que, hoje, são essenciais.

 

Na visão do sócio-fundador da Lozinsky Consultoria, Sergio Lozinsky, essa transformação é muito mais profunda e requer, antes de tudo, uma reestruturação do negócio de acordo com a estratégia de crescimento da organização. Leia, abaixo, a entrevista que o consultor concedeu a este blog.

 

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Marcelo - O mercado tem falado muito sobre transformação digital e estratégia de dados, mas nem sempre com uma percepção clara e profunda sobre o tema. Na sua visão, como as empresas estão lidando com essas novas ideias?

 

Sergio - Antes de qualquer coisa, acho importante destacar que a transformação digital é um termo muito amplo. É um tema adotado por empresas e bastante abordado em artigos, mas nem sempre isso se traduz em uma estratégia clara. Então, em termos de mercado, vemos situações díspares em relação ao entendimento do que significa transformação digital em cada negócio. O primeiro e grande desafio, portanto, é entender o que ela representa para cada segmento econômico e empresa.

 

Já a estratégia de dados está amarrada ao conceito. Ao entrar no mundo digital, a organização percebe que precisa ter mais informações sobre clientes, produtos, aplicações de soluções e ferramentas e concorrentes, por exemplo. Mas a questão é que arquitetura de dados é considerada responsabilidade, principalmente, da TI, o que faz esse aspecto ainda ser visto como técnico, não estratégico. Coletar dados e convertê-los em informações úteis são responsabilidades que vão além da TI. Assim como a transformação digital como um todo, esse processo deve estar no nível de negócios.

 

Marcelo - E como você, no papel de consultor, avalia o entendimento do mercado com relação a essa união entre transformação e dados?

 

Sergio - De forma geral, o mercado ainda está na primeira onda. Tem um caso ou outro de sucesso apresentado em congressos, que seja realmente válido. Existe muito o que aprender ainda, porque falta experiência.

 

No mundo da transformação digital, a base de operação, que é a arquitetura de sistemas das empresas, precisa estar muito bem montada. Não adianta mergulhar de cabeça nisso sem ter feito o dever de casa. É preciso garantir o funcionamento de sistemas que suportam as operações e que eles estarão relacionados a aspectos como controle, logística, custos, planejamento e orçamento. Áreas e fases devem funcionar perfeitamente e de forma integrada para facilitar o salto do analógico ao digital, que engloba transformação digital, estratégia de dados, internet das coisas (Internet of Things, ou IoT), entre outros. Do contrário, o esforço e o custo para entrar com sucesso na nova fase serão muito maiores.

 

Marcelo - Qual é o fator impeditivo da amarração dos conceitos citados?

 

Sergio - É preciso entender, de uma vez por todas, que transformação digital não é um problema só da área de TI. Estamos falando de um tema estratégico e que corresponde, também, à área de negócios. Obviamente, a TI tem uma função muito importante porque possui mais informações sobre ferramentas, novidades, tecnologias. Então, sim, a área deve alimentar o negócio, de maneira estruturada, com informações sobre as mudanças e possíveis impactos. Mas atribuir essa responsabilidade apenas a ela é um dos principais erro.

 

Veja, a TI pode liderar esse processo por sua natureza técnica. Mas transformação digital significa um entendimento, por parte do negócio, sobre as possibilidades das novas tecnologias no mercado e avaliação sobre como usá-las para inovar ou manter competitividade. TI e áreas de negócios precisam caminhar juntas.

 

Marcelo - Quem são os profissionais que participam desse processo de profunda transformação?

 

Sergio - Eu diria que a empresa tem que trazer pessoas, em alguns casos, com outras experiências e não necessariamente do mesmo segmento de negócio da organização. O setor financeiro, por exemplo, vem enfrentando há anos o processo de transformação digital, o que significa que os profissionais desse segmento têm experiências interessantes e que podem ser aplicadas em outros mercados.

 

Fazer uma mudança importante na organização pode exigir a adequação de perfis. A empresa precisa ter uma equipe com um misto de características - veia inovadora combinada com experiência - que possa provocar novas ideias. É um mundo piloto que está entre erros e acertos, em que tudo deve ser feito e refeito rapidamente.

 

Marcelo - De que tipo de perfil profissional estamos falando aqui?

 

Sergio - Acredito que sempre teremos dois tipos de perfis profissionais: o generalista e o especialista. Para implementar as soluções, o especialista é fundamental, pois ele garante o bom funcionamento da tecnologia. Já no momento de desenhar ações e planejar, o generalista, que tem capacidade de navegar bem no negócio de ponta a ponta, ajuda a entender o que é preciso para fazer tudo isso acontecer. Essa ideia vale tanto para o prestador de serviço quanto para o colaborador interno.

 

Marcelo - Quais são os principais erros cometidos por CIOs e equipes de TI nesse momento? Quais são os desafios a serem superados?

 

Sergio - Eu destacaria três principais erros. O primeiro é encarar a transformação com desespero e, por medo de ficar para trás, entrar no mundo digital sem uma estratégia clara. A empresa sente que não vai sobreviver ao processo de transformação e copia modelos que considera estarem dando certo no mercado.

 

O segundo é subestimar o tamanho do problema e criar um pequeno grupo ou iniciativa, imaginando que não será necessário modificar muito a organização. Não dá para deixar que o processo de transformação digital seja comandado por duas ou três pessoas. Ele tem que permear a empresa como um todo. É até possível ter um grupo que lidere, mas não é responsabilidade de um departamento específico. Deixar que uma pessoa pense no futuro de uma organização inteira atrasa bastante a evolução.

 

O terceiro está relacionado à arquitetura tecnológica. Na transformação digital, quase tudo ocorre em tempo real e o cliente tem mais visibilidade do processo interno da empresa da qual adquire um serviço ou produto. Antes de mudar, portanto, exige-se um conjunto de sistemas, ferramentas e tecnologias bem implantados, integrados e seguros. Mas, nem sempre as empresas fizeram o dever da casa completo.

 

Marcelo - Toda empresa precisará passar por uma transformação?

 

Sergio - Sim, mas em situações diferentes. O varejo precisa revisitar formas de pensar e oferecer o produto para o cliente final constantemente, caso contrário, não sobrevive. Em uma indústria pesada, como a de aço e alumínio, por exemplo, o grau de preocupação é menor, ou seja, a aplicação da tecnologia acontece, mas não é tão urgente quanto no primeiro caso. No mundo B2B, sempre existirá um segmento digital, então, vejo que toda empresa precisará passar, sim, pela transformação, mas com níveis de intensidade e complexidade diferentes.

 

*Marcelo Sales é Diretor de Arquitetura e Pré-vendas da Hitachi Vantara LATAM