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Marcelo Sales's Blog

74 posts

O uso de Video Analytics (VA), Inteligência Artificial (IA), Internet das Coisas (IoT) e Big Data pode melhorar, entre outras coisas, a experiência do cliente no setor de transportes

 

*por Marcelo Sales

 

Viajo muito à trabalho e, durante meus percursos, gosto de pensar em todos os processos e sistemas que se conectam ao meu redor, por exemplo, quando estou em um terminal aéreo. Sei que tudo por ali deve buscar me proporcionar uma melhor experiência. E, para que tudo funcione com esse objetivo, é preciso de tecnologias como Video Analytics, IA, IoT e Big Data. A intenção é clara e o objetivo é nobre: serviços aéreos e marítimos, principalmente os que estão conectados ao consumidor final, precisam se manter seguros, competitivos e eficientes e, com isso, proporcionar benefícios ao usuário.

 

O jornal Financial Times publicou uma reportagem que apresenta dados de pesquisadores da Amrita School of Engineering, na Índia, apontando que um voo transatlântico médio gera cerca de 1.000 gigabytes de dados, o equivalente a cerca de 2.000 horas de gravação com qualidade de CD¹.

 

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Fonte: www.pexels.com

 

 

Experiência do consumidor

 

Em um aeroporto, a experiência do consumidor acontece ou a partir da companhia aérea ou pelo próprio serviço do aeroporto. Ambos, ao meu ver, tem se concentrado em empregar tecnologia para tornar o momento com suas marcas mais atraentes. Há muitas oportunidades para o setor já que, com o constante desenvolvimento de IA e IoT, é possível coletar dados muito rapidamente, analisar e criar ocasiões satisfatórias para os clientes.

 

É muito comum encontrarmos dificuldades relacionadas aos passageiros em trânsito. Em geral, passam pouco tempo no aeroporto e estão sempre preocupados com sua mala e conexões. Além disso, muitas vezes, precisam passar por contratempos estruturais, como uma escada rolante parada ou um elevador desativado. Tudo isso contribui para diminuir a satisfação do cliente.

 

Situações como essas afetam diretamente a reputação de aeroportos e estão impactando diretamente o negócio, uma vez que companhias aéreas (e passageiros) começam evitar pousos e decolagens destes locais. Com tecnologias alinhadas e análise adequadas, é possível evitar que essa receita seja perdida por meio de decisões rápidas baseadas em dados.

 

Segurança garantida

 

Já quando pensamos em segurança marítima, os profissionais envolvidos buscam na tecnologia apoio, principalmente, para garanti-la em todos os momentos necessários. Desse modo, a robustez que é encontrada em monitoramento via IoT é um atrativo para enfrentar o desafio que é o planejamento, a inspeção e o agendamento de manutenção de equipamentos e embarcações - além de diminuir o tempo em terra quando necessário, já que é possível provisionar a manutenção. A partir de dados dinâmicos e atualizados, as decisões são mais assertivas e evitam especulações e tempo desnecessário despendido diante de possíveis situações. Além disso, inúmeros riscos (e despesas adicionais) são eliminados quando medidas estão associadas à dados.

 

Nesse caso, a IoT simplifica o planejamento de reparos por meio de sensores e monitores de desempenho. Todos eles podem ser conectados a praticamente qualquer mecanismo de uma embarcação para fornecer dados em tempo real sobre a velocidade e a confiabilidade de qualquer componente. O maior ganho da adoção dessas tecnologias é poder avaliar o desempenho das operações, prever falhas e situações de risco e analisar cenários. E isso pode ser feito também no caso de aeronaves e aeroportos.

 

Além de serem consideradas o meio de deslocamento mais rápido com destino para Manhattan, as balsas, no porto e nos rios da cidade de Nova York, são transportes fundamentais para boa parte da população. Em operação desde 1986, a hidrovia segue aprimorando seus sistemas de segurança, por meio de sensores, monitoramento e análise, além da experiência do consumidor. Aqui, neste vídeo, é possível ver como a hidrovia de Nova York está conseguindo otimizar sua operação por meio do uso de tecnologias.

 

Otimização operacional

 

Os céus e mares estão mais ocupados do que nunca. E hoje muitos dados já são coletados, armazenados e analisados ao longo de uma rede de IoT. Sensores integrados monitoram tudo, desde o número de aeronaves e navios que estão em trânsito até mesmo o tipo de carregamento que estão trazendo.

 

É preciso, no entanto, estabelecer melhores sistemas que garantam a gestão de frota e tráfego. Penso que a IoT é a melhor opção para garantir que sistemas aéreos e marítimos possam funcionar com segurança, fornecendo dados para orientar decisões, muitas vezes, complexas.

 

Além disso, vale lembrar que a IoT já é comum em outras indústrias baseadas em logística, apresentando ganhos reais de eficiência. Tudo isso pode funcionar como um excelente aprendizado. Se está interessado em mais informações sobre como é possível melhorar a experiência de passageiros e aprimorar o setor de transportes e infraestrutura, sugiro que leia também sobre as soluções da Hitachi para a construção de portos e aeroportos inteligentes.

 

1. Financial Times - How airlines aim to use big data to boost profits

 

*Marcelo Sales é diretor de Arquitetura e Pré-vendas da Hitachi Vantara LATAM

Por Marcelo Sales*

 

O transporte, a segurança, a educação e o varejo podem melhorar na era da conectividade, criando espaços que proporcionam mais bem-estar e crescimento econômico para grandes centros

 

O conceito de cidades inteligentes, ou Smart Cities, ganha cada vez mais adeptos por todo o mundo. E não é para menos: o levantamento das Nações Unidas aponta que, desde 2008, mais da metade da população do mundo passou a viver em áreas urbanizadas. É previsto que a população urbana mundial chegue a 5 bilhões¹.

 

Nesse contexto, desenvolver centros urbanos de forma inteligente passa por investir em capital humano, social e tecnológico para obter uma gestão melhor e focada em qualidade de vida. Esse movimento acontece devido a grande necessidade de aprimoramento da infraestrutura urbana existente. Só assim é possível seguir recebendo uma grande quantidade da população e, com isso, fazer manter cidades competitivas.

 

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Fonte: www.pexels.com

 

De acordo com o Cities in Motion Index 2018², do IESE Business School na Espanha, 9 dimensões indicam o nível de inteligência de uma cidade: capital humano, coesão social, economia, governança e administração pública, meio-ambiente, mobilidade e transporte, planejamento urbano, conexões internacionais e tecnologia. Conheça 4 áreas que podem ser mais exploradas e, com isso, contribuir para que cidades se tornem mais inteligentes.

 

Transporte

 

Sistemas inteligentes hoje podem ir muito além de questões sobre segurança, seja no transporte aéreo, portuário ou em solo. A partir de tecnologias, como IoT (Internet of Things - Internet das Coisas), análise e IA (Inteligência Artificial), empresas estão otimizando seus negócios, além de criar experiências para os passageiros. Suportar serviços imprescindíveis, como fluxo de tráfego, disponibilidade de transporte, entre outros, também geram melhor desempenho. Em post anterior, comentei sobre a adoção de Video Analytics no mercado de transporte e em gestão de Frotas

 

Com a atual dinâmica das cidades grandes, o desafio é obter análises claras e assertivas para a tomada de decisão. Para tal refinamento, compreender a fundo a demanda é crucial para que relatórios de big data possam ser melhor aproveitados.

 

Segurança

 

O setor de segurança pública hoje pode contar com uma série de dispositivos que apoiam o serviço, como câmeras de vídeo, detectores, sistemas de reconhecimento, mídias sociais e outros. O que é preciso apostar agora é no melhor cruzamento de informações que eles trazem para que tais ferramentas deixem de funcionar de forma apenas imediatista, e, sim, de maneira estratégica. Isso significa torná-las relevantes no processo de prevenção de acidentes e outros fatores.

 

Em função do grande volume de dados que uma cidade como São Paulo gera, por exemplo, gerenciar e otimizar o fluxo de informações em sistemas diferentes faz com que decisões levem mais tempo do que o apropriado quando o assunto é segurança. Hoje já é possível valer-se de sistemas que integram diferentes formatos de dados e, com isso, acessar relatórios mais precisos das atividades na cidade e tornar todo o trabalho de segurança pública mais eficaz para uma população.

 

Educação

 

Os Campi Universitários são como cidades. Funcionam como organismos vivos e que possuem diversas ações acontecendo ao mesmo tempo. E como tirar melhor proveito disso para devolver em experiência e segurança para todos? Assim como é possível fazer em grandes cidades, integrar dados com suporte de IoT, sensores e sistema de segurança é uma realidade também no espaço universitário.

 

Conectar tais informações aprimoram todo o sistema administrativo e operacional de um Campus, mas, também, alimentam equipes de diferentes departamentos para que possam desenvolver inovações que considerem inteligência aplicada sob dados para alunos.

 

Varejo

 

Os grandes centros urbanos são sempre formados, em essência, pela presença de varejistas, grandes ou pequenos, e estes pontos sempre foram disputados em função do alto fluxo de pessoas. A era da conectividade, no entanto, está mudando a forma como o varejo se movimenta. Hoje o foco está dedicado a compreender o comportamento do consumidor e transformar isto em experiência. É isso que deve concretizar o lucro de uma companhia e não mais só focar no ponto de venda. Essa principal mudança acontece no ambiente físico, que, agora, disputa cliente a cliente com lojas virtuais e experiências on-line.

 

Saber utilizar dados de instalações físicas é um meio de apoiar times a criar experiências significativas aos clientes e, com isso, trazê-los para o espaço. Tais informações podem ser primordiais para decisões em campanhas, mas, também para uso adequado da loja, como estacionamento ou posicionamento de produtos no local.

 

Você deve ter percebido até aqui como espaços inteligentes se valem de tecnologias para obter informações e tornar tudo mais eficaz, eficiente e seguro. Convido você para assistir este vídeo sobre o tema e entender um pouco mais sobre o assunto. Aproveito para compartilhar também informações sobre como a Hitachi Vantara viabiliza a inteligência operacional, de negócios e a segurança por meio de Video Analytics.

 

Temos muito para falar sobre como cada área dessa pode se desenvolver e fazer parte de projetos de cidades inteligentes. Nas próximas semanas, vamos aprofundar em cada uma delas. Acompanhe.

 

 

1. Reportagem portal de notícias Nexo

2. Relatório IIESE 2018

 

*Marcelo Sales é Diretor de Arquitetura e Presales da Hitachi Vantara LATAM

Estamos cada vez mais conectados por meio de nossos dispositivos. E à medida que a Internet das Coisas, ou IoT, se expande, vejo o setor de gerenciamento de frotas tornando-a em estratégia de dados e conectando veículos e motoristas como nunca antes.

No início deste ano, em meu post “Estratégia de dados: um passo para IoT[1] ”, comentava o quão importante acreditava que o assunto seria para 2018. Agora, mais próximo do fim dele, vejo como essa previsão foi assertiva ao acompanhar mercados como o de saúde (falei desse especificamente dele aqui[2] ) e varejo. Mais recentemente, tenho observado como o de gerenciamento de frotas têm usado a IoT para evoluir. Não é para menos, afinal, de acordo com a McKinsey Global Institute, a IoT terá um impacto potencial total de até US$ 11,1 trilhões por ano até 2025. Com tantas oportunidades, faz muito sentido que empresas de diferentes setores busquem otimizar suas estratégias de dados a partir da Internet das Coisas.

Aprofundando o olhar nas companhias de gerenciamento de frotas, podemos dizer que a IoT tornou-se uma das soluções mais completas para fazer essa gestão e que ela transforma a operação, diminuindo o tempo de inatividade, despesas operacionais, aumentando a eficiência, entre outras.

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Imagem: pexels.com

Monitoramento e aumento de produtividade

Paradas desnecessárias, imprudência ao volante, gastos excessivos de combustível, entre outros, são itens dos quais costumo ouvir queixas sobre o quão difíceis são de monitorar adequadamente. Com o uso da IoT associada a estratégias de gestão de dados, é possível automatizar essas informações por meio do acompanhamento do veículo. O time de gestão de frotas recebe relatórios em tempo real de percepção de desempenho da frota e comportamento dos motoristas. A partir disso, é possível ter um mapa objetivo, identificando potenciais problemas com antecedência suficiente para mitigar riscos que garantam a integridade do condutor, do veículo e da carga, além de garantir o controle de custos previstos.

Com o acesso a esses dados, garante-se também uma melhor visão do veículo como um todo, o que possibilita monitorar a integridade da frota de qualquer dispositivo. Por meio de alertas, identifica-se a necessidade de manutenção, como troca de bateria, temperatura inadequada, entre outras demandas do motor. Também é possível acompanhar o calendário de inspeções e, com isso, manter funcionários seguros, reduzindo custos com acidentes de trabalho, e carros funcionando adequadamente, sem prejudicar prazos e clientes.

Otimização de custos

Não conheço um gestor de frota que não se preocupe diariamente em garantir que seus orçamentos estejam cada vez mais adequados à realidade. O fato é que, com dispositivos conectados, a ansiedade por conta disso diminui, uma vez que se pode acompanhar e entender cada passo que um veículo dá e, com isso, identificar quais são os gastos reais e quais áreas o dinheiro pode ser melhor aplicado. Mas, na minha opinião, dá para ir mais longe. A IoT pode suportar empresas para que obtenham melhores previsões de custos de acordo com o histórico das operações - por exemplo, entendendo melhores trajetos que cruzem distância percorrida e custos com pedágio e combustível, apresentando o melhor caminho a ser seguido pelo motorista.

Grande quantidade de dados

Só temos mesmo uma estratégia de dados a partir do momento que passamos a utilizá-los como base para um pensamento analítico e organizado- e quando eles nos conduzem na tomada decisões.. Todos os dias, as frotas geram uma enorme quantidade de informações, como consumo de combustível, quilometragem, velocidade, situação das estradas, utilização de veículos e muito mais. Antes da transformação digital que o setor vive, tais informações tinham que ser coletadas, se é que eram, manualmente. O resultado vinha em forma de atrasos significativos para soluções de problemas e mudanças de rota nas estratégias de negócio (da empresa e seus clientes).

Com a IoT, inaugura-se uma era em que a conexão realiza tal tarefa e dá agilidade ao negócio como nunca vista antes. Os gerentes, em posse disso, podem analisar e entender sua frota e atuar sobre ela o mais rápido possível, tornando sua posição, inclusive, muito mais estratégica para a empresa Ele agora pode evitar situações que, antes, não eram vistas pela empresa. Se você ficou interessado em se aprofundar, sugiro que acesse este link aqui e percorra o infográfico feito pela Hitachi para saber mais sobre como soluções baseadas em dados podem melhorar operações de gerenciamento de frota.

Mais uma vez, reforço que estratégia de dados e IoT são os caminhos para o futuro, não apenas para o gerenciamento de frota, mas para o trabalho e para a vida. Estamos passando por um processo de mudança, e ao abrir mão das novas possibilidades para continuar com os métodos tradicionais, deixamos de olhar para oportunidades que podem nos conduzir a um futuro mais limpo, econômico e sustentável.

 

O monitoramento por câmeras já deixou de ser novidade em muitos mercados e agora o desafio é outro: como extrair dos vídeos dados valiosos que possam ser utilizados para apoiar estratégias de negócios, inovação e segurança

 

Marcelo Sales* (artigo publicado originalmente no portal Olhar Digital - https://olhardigital.com.br/colunistas/marcelo_sales/2018/11/)

 

Monitorar automaticamente diferentes ambientes, enviar alertas e acionar tarefas com base em uma análise instantânea de vídeo já é uma realidade em diversos setores. Mas agora, essa tecnologia caminha das simples funções para a busca por soluções de negócio, ao se conectar com a Internet das Coisas e Inteligência Artificial. Percebo, cada dia mais, que é para esse lugar que os profissionais das áreas de tecnologia e inovação estão voltando seus olhos: para Video Analytics (VA). De acordo com o relatório da Technavio, espera-se que o mercado global de VA tenha um crescimento próximo a 31% até 2021, o que significa um incremento de US$ 1,65 bilhões. Isso por que está mais claro para o empresariado que, com análise de vídeo, é possível. Vamos falar de algumas possibilidades.

 

Mobilidade urbana assertiva

O papel da análise de vídeo, por exemplo, no gerenciamento de tráfego de uma cidade inteligente é apoiar na gestão da mobilidade e prevenção de acidentes. Nesse mercado, VA pode atuar como um sistema de detecção de movimento e padrão, emitindo relatórios que suportam projetos que visam reduzir congestionamentos e os motivos que causam acidentes nas vias. Na prática, isso significa, ajudar a detectar quaisquer violações de regras de tráfego, como excesso de velocidade, ultrapassagem irregular, avanço inadequado no semáforo e até identificação de objetos num quadro determinado, como um pedestre andando em local proibido.

 

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Fonte: pexels.com

 

Ainda sobre transporte, algumas organizações de trânsito utilizam inteligência de vídeo para detectar quando as estações estão lotadas e implantam rapidamente o número certo de ônibus ou vagões de trem. Veja que, mais do que resolver diariamente situações, é poder mapear e aplicar inteligência de dados para entender comportamentos e, com isso, obter novas formas de desenvolver mobilidade urbana.

 

Indústria com processos claros e trabalho seguro

Já na indústria, a VA traz mais segurança e clareza para processos. De acordo com dados da Organização Internacional do Trabalho, Advocacia Geral da União e Observatório Digital de Saúde e Segurança e do Trabalho, foram registrados quase 500 mil acidentes de trabalho em 2016 e o levantamento também aponta que há uma média de 500 ações indenizatórias por ano. Com vídeo inteligente, os gestores de plantas podem receber alertas em tempo real sobre violações de segurança, instituir programas preventivos orientados por dados, otimizar os tempos de resposta a incidentes, fortalecer programas de treinamento de funcionários e antecipar necessidades de manutenção. Isso torna o local de trabalho mais seguro. Além disso, com a coleta desses dados, é possível analisar produtividade, melhorias na linha de produção e desenvolver inovações estruturais. Sem dúvida, há uma redução significativa nos custos de manufatura.

 

O que a loja mostra

E, por último, vejo um potencial muito grande no varejo, quando as empresas desse setor souberem tirar vantagem dessa tecnologia. De acordo com o relatório Center Build Update, de 2017, produzido pela Cushman & Wakefield, é previsto o fechamento de mais de 12 mil lojas nos Estados Unidos. Já sabemos que o Brasil segue essa mesma tendência e isso mostra a necessidade do varejista desenvolver novas abordagens para sua sobrevivência. Ao usar a tecnologia de Video Analytics para buscar insights sobre comportamento e preferências do cliente em suas lojas, eles podem customizar opções, oferecer itens por demanda e reduzir a perda de produtos, por exemplo. Indo direto ao ponto de venda, isso significa melhorar a experiência de compra do cliente, reduzindo seu tempo em atendimento, facilitando sua compra e evitando gastos com espaços desnecessários.

 

Já sabemos há muito tempo quanta informação está presente em um vídeo, mas estamos apenas começando a explorar todo o seu potencial de geração de dados com o viés de negócio e inovação. Ao conectarmos captação de imagem e inteligência artificial passamos a ter uma ferramenta para analisar uma ampla gama de situações e, com isso, gerar ambientes mais saudáveis, seguros, inteligentes e economicamente viáveis.

 

*Marcelo Sales é Diretor de Arquitetura e Pré-vendas da Hitachi Vantara LATAM

 

https://olhardigital.com.br/colunistas/marcelo_sales/2018/11/

O setor de saúde tem passado por grandes mudanças tecnológicas, principalmente pela preocupação prioritária em trazer mais disponibilidade, acessibilidade e agilidade para data centers, reforçando sua importância para a melhor experiência do paciente.

 

*Marcelo Sales

 

Todos sabemos que a tecnologia tem sido um dos grandes impulsionadores de saltos na saúde. Um estudo recente da International Data Corporation (IDC) mostrou que é esperado que o setor invista cerca de US $ 2,7 trilhões por ano em infraestrutura de TI, incluindo data centers, até 2020. Uma transformação significativa está em curso. E se você é um profissional de TI dessa área, provavelmente não se assusta com isso, pois deve ter observado seus dados crescerem em ritmo acelerado e agora, precisa gerir melhor tempo e orçamento para armazená-los e protegê-los adequadamente.

 

O fato é que, quando se trata da indústria da saúde, o armazenamento e transmissão de arquivos - como tomografia computadorizada, ressonância magnética e o lançamento em prontuários eletrônicos - são extremamente sensíveis e deles dependem o funcionamento hospitalar e a segurança dos dados do paciente. No cenário atual de transformação digital criou-se o momento ideal para que os sistemas de saúde invistam em uma infraestrutura digital desenvolvida, com foco em padronização e segurança, além dessa ser uma aliada para o melhor atendimento ao paciente.

 

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O estudo “O avanço digital na assistência à saúde”, da PwC, que reúne dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) e da pesquisa TIC Saúde, mostra que apenas 53% dos estabelecimentos de saúde brasileiros registram informações clínicas e cadastrais em prontuários eletrônicos. E as decisões que envolvem o atendimento são menos registradas ainda, o que revela uma falta de cultura em utilizar dados para melhorar a experiência do paciente. Dados como alerta de alergias a medicamentos, contra-indicações, interferência de medicamentos em exames, por exemplo, são registrados por menos de 20% das clínicas e hospitais.

 

O Data Center e as mudanças no cuidado com a saúde

 

À primeira vista, as soluções de armazenamento de dados eram tidas pelos provedores de serviços saúde como um custo. Agora, com a transformação digital em pauta e a possibilidade de ter, ao mesmo tempo, conveniência e segurança, se tornaram essenciais para um tratamento cuidadoso dos registros em um negócio tão avesso ao risco.

 

Em um hospital, por exemplo, que possui um grande número de equipamentos diversos gerando dados, a disponibilidade, acessibilidade e agilidade na entrega da informação pode adiantar diagnósticos e cuidados com a saúde de pacientes. Com a tecnologia já tão próxima do dia a dia das pessoas, elas mesmas já demandam por atendimentos mais informatizados e organizados.

 

O correto armazenamento e disponibilização dos dados permite ao profissional de saúde na ponta um melhor atendimento do paciente, com a possibilidade de acessar dados de atendimentos passados, experiências dele junto ao hospital, verificar diagnósticos, entre outros. Representa uma visão clínica integral e, também, uma análise comportamental do paciente, que pode ser valiosa para o gestor do hospital.

 

Armazenamento de dados e IoT: o futuro do atendimento ao paciente

 

Ligando o armazenamento de dados à um tema que sempre volto por aqui, a IoT, as possibilidades no setor da saúde passam a ser quase que infinitas. Ainda que muitos equipamentos, como microscópios de alta potência e máquinas detalhadas de digitalização, sejam fixos em hospitais, se conectadas à rede e enviando informações ao Data Center, melhoram significativamente a experiência e a agilidade para pacientes e, claro, para a equipe médica, que passa a analisar dados integrados na hora de avaliar um caso. Além disso, estações de controle e monitores para quartos de pacientes, sistemas de entrega e agendamento de medicamentos, assim como os raios X e as máquinas de ressonância magnética, e as tecnologias wearable relacionados à saúde estão ganhando espaço em sistemas hospitalares. São milhares de dados e informações vindos de dispositivos diferentes, que devem ser não só armazenados, mas processados dentro de um ambiente de TI ágil e seguro.

 

Para melhor aproveitar os caminhos da transformação digital, a indústria de cuidados com a saúde precisa contar com data centers modernos e especialistas em TI atualizados para garantir que exigências regulatórias e legislativas e melhores práticas de segurança e privacidade acompanhem as constantes evoluções que o tema vive e ainda vai encontrar pela frente. São evoluções necessárias para lidar com um paciente que busca no sistema de saúde muito mais do que medicação, agilidade, tecnologia e atendimento eficiente.

 

* Marcelo Sales é Diretor de Arquitetura e Pré-vendas da Hitachi Vantara LATAM

Muitas vezes, a adoção da Internet das Coisas aparece ligada ao surgimento de novos golpes cibernéticos, mas pouco se fala sobre as fraudes que essa tecnologia vem combater

 

No início desse ano, tive contato com uma pesquisa do IDC que apontava que o IoT movimentaria R$ 8 bilhões de dólares esse ano no Brasil. E, ao longo do ano, acompanhei diversas notícias sobre a adoção dessa tecnologia por aqui. Ou seja, a Internet das Coisas não é mais só um assunto sobre o qual vamos discorrer e discutir – ela já está presente no nosso dia a dia. E, ainda que se fale muito no mercado sobre as possíveis fraudes ou golpes que podem acontecer com os dispositivos conectados, apenas 5% das empresas na nossa região veem a segurança como um desafio na adoção deles.

 

Mais do que isso, eu, particularmente, vejo uma vantagem no combate às fraudes para empresas e setores que já estão usando o IoT.

 

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Fonte: pixabay.com

 

IoT e criptografia aliados no campo

Em um http://tiinside.com.br/tiinside/home/internet/07/03/2018/uso-de-blockchain-e-iot-no-campo-pode-evitar-fraudes-no-agronegocio-diz-especialista/artigo publicado na TI Inside, sobre blockchain e IoT, o Gerson Rolim, CIO da The Data Company, afirmou que seria possível evitar fraudes como as descobertas na operação “Carne Fraca” com o uso do IoT. Ele defende que com a Internet das Coisas ligando de ponta-a-ponta a produção agrícola e pecuária, e com os dados obtidos no processo sendo armazenados de forma criptografada, a adulteração de dados seria impossível – e facilmente rastreável.

 

O que me parece é que quando falamos de conectar dispositivos, logo acendemos uma luz vermelha, levando em consideração que os dados estarão não só conectados à internet – o que já apresenta um risco eminente – mas espalhados, o que tornaria mais difícil o controle sobre eles. No entanto, ao associar o IoT à criptografia e, ainda mais como sugere Rolim, ao blockchain, as fraudes podem ser reduzidas à praticamente zero.

 

O desafio da água no mundo e as fraudes ligadas à nossa rede

A tecnologia é um dos grandes aliados da sustentabilidade. Com ela, tem sido possível fazer projetos de cidades e casas inteligentes, nas quais os recursos naturais são poupados. Uma das grandes aplicabilidades do IoT nesses projetos tem relação com a perda de água.

 

Hoje, de acordo com o http://www.snis.gov.br/diagnostico-agua-e-esgotos/diagnostico-ae-2016relatório anual do SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento), o Brasil perde 38% da água nos canais de distribuição. Essa perda vem por falhas e problemas na rede, por desperdícios e, muito também, por fraudes e ligações clandestinas.

 

Porém, com sensores de ponta a ponta, ligados a sistemas robustos de processamentos de dados, estas últimas tornam-se muito mais difíceis de acontecer, ou mesmo, mais fáceis de detectar. O mesmo vale para as perdas de energia. É possível, por exemplo, ligar os sensores a redes LoRa (de grande alcance e baixo consumo) e monitorar a medição, o fluxo e a perda em tempo real.

 

Associado ao machine learning, um grande aliado dos varejistas

Mais um caso de aplicabilidade conjunto que, acredito, veremos muito em breve em ação é a Internet das Coisas associada ao machine learning. Ora, se as máquinas estão aprendendo, o fluxo de dados para que isso aconteça vem de algum lugar – e por que não dos dispositivos conectados?

 

Essa já é uma realidade que algumas startups voltadas ao varejo estão propondo. No momento de uma compra, por exemplo, se seu sistema de pagamentos faz um simples cruzamento de dados, digamos, com a base do Serasa, é possível detectar e apontar uma possível fraude.

 

Carros conectados levando mais inteligência ao setor de seguros

Para finalizar essa lista, vale falar sobre a segurança que os carros conectados podem nos dar – e como também podem agilizar os negócios das seguradoras. Além de sabermos os melhores trajetos e monitorarmos a manutenção do nosso veículo mais proximamente, os chips embarcados podem nos dar a localização exata do automóvel, além de comunicar os últimos trajetos feitos.

 

Do ponto de vista do segurador, a vantagem é óbvia. Com um monitoramento do carro segurado, além de um perfil mais detalhado e realista do condutor, é possível combater fraudes.

 

Estes são só alguns exemplos de como a Internet das Coisas pode ser encarada como uma evolução no quesito segurança da informação. É claro que, assim como as novas tecnologias, novos tipos de fraude podem surgir, mas a inteligência em combinar a captação e processamento de dados de maneira inteligente, minimiza os riscos, além de melhorar as cadeias de produção e de entregas de serviços.

Mais de dois milhões de terabytes de novos dados são criados a cada dia no mundo. Como usá-los com a devida eficiência?

 

O uso da análise de dados para guiar tomadas de decisão não é uma prática nova, mas vem se aprimorando a cada dia, com o uso de plataformas e ferramentas digitais. Muitas empresas já perceberam seus benefícios, e por isso elas vem ganhando espaço, principalmente no mercado varejista. Os hábitos dos consumidores, seja no mundo real ou virtual, se transformam em dados que podem ser captados de diversas maneiras, e têm se tornado uma verdadeira joia para quem sabe lidar com eles. A loja de departamento americana Macy’s, que trabalha com cerca de 73 milhões de produtos, gera relatórios com informações sobre eles a cada 26 horas, utilizando dados coletados em seus estabelecimentos. E muitas outras empresas do segmento estão seguindo o exemplo e reinventando suas táticas de vendas.

 

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De acordo com o Gartner, mais de dois milhões de terabytes de novos dados são criados a cada dia no mundo. Se bem explorados, eles podem fornecer insights importantes para tomadas de decisões para profissionais de diversos setores. E uma das primeiras áreas a perceber isso e adotar ferramentas de análise e monitoramento foi o marketing. Segundo estudo realizado pela Global DMA e pela consultoria Winterberry Group, 73% dos profissionais brasileiros acreditam que o marketing orientado por dados tem grande representatividade nos negócios.

 

Ao analisar dados que podem ser captados de diversas maneiras, é possível prever o comportamento do consumidor e entender o que o levou a concluir ou desistir de uma compra. Ao entender essas atitudes, fica mais fácil pensar em ações para reverter esse cenário e atrair de volta esse cliente, além de fidelizar e garantir ele se lembre sempre da marca e da boa experiência que teve com ela. Segundo a McKinsey, nos próximos cinco anos, as empresas com crescimento mais rápido usarão métodos de análise avançada e técnicas de machine learning para lidar com aspectos estratégicos fundamentais, como quais recursos alocar e quais comportamentos priorizar para impulsionar a produtividade de vendas.

 

Um bom exemplo de como essa análise de informações pode ser assertiva foi contado no livro “O Poder do Hábito”. Ao fazer monitoramentos para antecipar comportamentos de seus consumidores, outra grande empresa varejista norte-americana conseguiu identificar antes da própria família que uma mulher estava grávida, tamanha a assertividade da análise do comportamento da consumidora. Isso porque ela parou de comprar absorventes femininos e passou a se interessar mais por produtos que indicavam uma possível gravidez. Esses e outros motivos tornam a análise de dados tão promissora, e por isso a prática tem sido amplamente adotada pelos varejistas.

 

O uso dessas ferramentas vai muito além de proporcionar uma experiência melhor ao consumidor.Também pode ajudar toda a cadeia de produção a trabalhar melhor e de maneira eficiente. Ao analisar dados, é possível saber, por exemplo, se o solo está propício ao plantio de determinadas sementes, se precisa de adubação ou se possui a umidade adequada. É possível rever decisões e priorizar o plantio de um alimento cuja semente tem mais probabilidade de se adequar ao solo no momento. Assim, é viável não só aproveitar os recursos naturais, como produzir mais e melhor.

 

Além disso, as ferramentas analíticas também permitem monitorar as condições de armazenagem. Ou seja, é possível saber se um alimento estocado está se deteriorando devido à situação do local onde está guardado. Assim é possível coletar informações que permitam otimizar o transporte, e consequentemente, reduzir custos e melhorar a distribuição.

 

A inteligência de dados não só está impactando a forma como produzimos hoje, mas como produziremos no futuro. Isso porque a tecnologia afetará diretamente o desenvolvimento de novos produtos, já que os avanços nessa área ajudam a prever a aceitação de um lançamento antes que ele seja produzido. Com isso a indústria deixa de investir na fabricação de coisas fadadas ao fracasso.

Em resumo, usar a inteligência de dados nos ajudará a lidar com as demandas por consumo de forma mais assertiva, e assim, não só controlar a produção para evitar perdas como também administrar melhor os bens já produzidos. Em um mundo que sofre com o desperdício de alimentos e matéria prima, aprender a gerenciar produções e consumo pode fazer a diferença e reduzir os impactos causados pela produção industrial no meio ambiente.

Até 2050, seremos quase 10 bilhões de pessoas no mundo; a tecnologia da informação pode ajudar a otimizar o cultivo, mas ainda é preciso repensar a infraestrutura de telecomunicações

 

por Marcelo Sales*

 

A transformação digital e a consequente transição para a Indústria 4.0 chegarão, cedo ou tarde, a todos os lugares, inclusive no campo. Prova disso é que, nos últimos anos, ouvimos falar bastante sobre a agricultura de precisão, que está associado à utilização de dispositivos e soluções tecnológicas avançadas para suportar o desenvolvimento da atividade, com base nas condições e na alteração do solo e do clima, dentre outros fatores. Mas é preciso ir além. Com isso, a discussão sobre o uso dos dados no poder de decisão nos negócios também atinge a agricultura.

 

A necessidade do setor por essa evolução tem uma origem clara: é impossível manter o desmatamento para o aumento das áreas de cultivo agropecuário, na tentativa perigosa de responder ao crescimento da população mundial - de acordo com dados da ONU, o planeta terá 8,6 bilhões de pessoas em 2030 e 9,8 bilhões em 2050. Além disso, o perfil nutricional de países populosos, como Índia e China, tende a apresentar o aumento no consumo de proteína animal, por consequência das mudanças socioeconômicas.

 

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Produzir alimentos para garantir o sustento desse enorme contingente significa, assim, potencializar os resultados das regiões que já são exploradas. Ou seja, é preciso aumentar a produtividade. Nesse contexto, destaca-se o uso de inteligência artificial, machine learning, deep learning, engenharia de dados, big data, blockchain e internet das coisas - sem contar outras tecnologias ainda mais avançadas que, certamente, surgirão com o decorrer do tempo.

 

A guinada da agricultura de precisão em direção à agricultura da informação pressupõe o cruzamento de dados oriundos de diversas fontes e de acordo com culturas vegetais que requerem determinados tipos de solo, previsão climática, sementes e outras questões que contribuem para a tomada de decisão a favor do aumento de produtividade.

 

Mas, como toda novidade que precisa se assentar, ainda é preciso promover avanços para criar a agricultura digital, especialmente em termos de conectividade e telecomunicações. Grande parte dos dados serão provenientes das modernas máquinas agrícolas, muitas delas já equipadas com sensores e dispositivos de IoT – mas que precisam estar conectadas para poder entregar seu potencial pleno. No entanto, o modelo regulatório de telecomunicações existente pouco incentiva empresas tradicionais do ramo a levar seus serviços para o campo. Em países pequenos, como Japão e Holanda, por exemplo, é mais fácil utilizar a rede pública de telecomunicações nas fazendas, mas, em países extensos como o Brasil - com quilômetros sem qualquer sinal de comunicação -, o desafio é grande.

 

Iniciar um debate sobre regulações governamentais, a fim de que as propriedades rurais consigam ter pontos de comunicação, torna-se urgente. Mas talvez não seja possível esperar e, possivelmente, o setor agrícola terá que se organizar por si mesmo. Nenhuma novidade até aí, isso já foi feito antes - ao exemplo da eletrificação rural entre as décadas de 1980 e 1990.

 

É possível que vejamos em breve cooperativas de infraestrutura sendo criadas para levar a conectividade ao campo. Assim, será possível habilitar o desenvolvimento de uma infraestrutura de TI robusta, com acesso à internet e à nuvem - o básico para ultrapassarmos as barreiras iniciais da Quarta Revolução Industrial, nesse caso, aplicada à agricultura.

 

*Marcelo Sales é Diretor de Arquitetura e Pré-vendas da Hitachi Vantara LATAM

De acordo com informações do Gartner, os gastos mundiais em segurança da IoT alcançarão US$ 1,5 bilhão ao final de 2018

 

por Marcelo Sales*

 

Eu me deparo, diariamente, com um ou dois novos textos sobre segurança da informação. E há uma única explicação para isso: esse é, e continuará sendo, um tema fundamental para o desenvolvimento da tecnologia. Pode parecer repetitivo, mas falar sobre normas e técnicas que visam proteger a sociedade, agora digital, é uma preocupação cada vez mais crítica.

 

Recentemente, entrou em vigor o Regulamento Geral de Proteção de Dados (General Data Protection Regulation, ou GDPR), conjunto de leis da União Europeia que afeta empresas de todos os portes que atuam na Europa ou têm relação com a região. No Brasil, a Lei Geral de Proteção dos Dados foi aprovada no Senado e encaminhada para a sanção presidencial, em julho. Em ambos os casos, as regras visam proteger os dados de cidadãos, fixando regras de uso dessas informações por parte de empresas e órgãos públicos.

 

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O Gartner prediz que, até 2021, a conformidade normativa se tornará o principal influenciador da adoção de segurança de IoT. Isso porque os ataques baseados em Internet das Coisas já são uma realidade: de acordo com uma recente pesquisa desenvolvida pela consultoria, quase 20% das organizações participantes observaram pelo menos um ataque baseado em IoT nos últimos três anos.

 

Imagine espalhar inúmeros sensores por uma fábrica, a fim de captar dados e  tomar decisões a partir deles, e ter essa informação alterada por alguma falha de segurança.. Uma escolha errada será feita -  e isso não pode acontecer.  Esse tipo de cenário tem impacto direto nos custos: espera-se que, ao final de 2018, os gastos mundiais em segurança da IoT, especificamente, atinjam US$ 1,5 bilhão, um aumento de 28% em relação aos gastos de US$ 1,2 bilhão do ano passado, também de acordo com o Gartner. 

 

Na prática, não estamos mais no campo das novidades e há um volume gigantesco de dados que deixou de ser acessório para se tornar crítico. E pesquisas como a do Gartner apenas comprovam que a preocupação com a segurança da informação continua elevada para acompanhar o avanço tecnológico -  que será cada vez mais rápido de agora em diante.

 

*Marcelo Sales é Diretor de Arquitetura e Pré-vendas da Hitachi Vantara LATAM

Compreender o real significado dos dados para o negócio é o caminho para identificar os impactos positivos para o desenvolvimento das organizações no futuro

 

por Marcelo Sales*

 

Na corrida por excelência na relação com o cliente e no ganho por competitividade, as empresas que sabem extrair valor dos dados estão na liderança. Um recente estudo do Gartner identificou que as organizações acreditam que a baixa qualidade dos dados é responsável por uma média de US$ 15 milhões em prejuízos, por ano.

 

Pode parecer repetitivo, mas o ponto central está justamente na possibilidade de compreender o significado por trás desse montante de dados gerados nos negócios. Vale destacar que não falo apenas dos elementos provenientes de dispositivos conectados, mas também da possibilidade de compreender, em tempo real, o nível de estresse de um cliente que liga para resolver um problema, tornando o processo de resolução mais ágil e eficiente para ambos, cliente e empresa.

 

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Ter a capacidade de reunir, organizar, governar e interpretar altos volumes de dados - provenientes de diferentes fontes - de maneira ágil é a resposta para criar estratégias de negócios que podem ser críticas para o sucesso da organização no futuro.

 

Os benefícios podem ser vistos em diferentes segmentos de mercado:

 

  • Na manufatura, novas eficiências são projetadas em toda a cadeia de suprimentos, desde a entrega just-in-time de matérias-primas até experiência gratificante e de fidelização para o cliente final no ponto de venda;
  • Na saúde, o atendimento ao paciente é transformado ao disponibilizar dados de alta qualidade, em tempo real, sempre que necessário;
  • No varejo, as cadeias de suprimentos podem ser otimizadas e os clientes podem ter experiências de compra mais personalizadas;
  • Nos serviços bancários e financeiros, a experiência do cliente pode ser ainda mais personalizada, ajudando a reduzir a rotatividade e construir receitas com vendas cruzadas de produtos e serviços adicionais;

 

Na prática, essa estratégia fornece insights mais profundos sobre o negócio, melhorando a produtividade, agilizando o desenvolvimento de inovações e reduzindo os custos.

 

*Marcelo Sales é Diretor de Produtos e Soluções da Hitachi Vantara LATAM

Para o diretor associado de TI da Tsys, Marcelo Zaniboni, a satisfação do cliente final é o principal motivador da transformação digital

 

por Marcelo Sales*

 

Garantir a satisfação do atual cliente, ao mesmo tempo em que se busca por novas oportunidades de negócios, é o grande propósito da transformação digital, de acordo com o meu xará Marcelo Zaniboni, diretor associado de TI da Tsys. Focada no setor financeiro, a empresa embarcou em uma missão interna de renovação tecnológica como preparação para uma mudança profunda e estrutural.

 

Em entrevista para este blog, Zaniboni fala sobre como a renovação tecnológica corrobora a intenção da empresa de alcançar novos negócios.

 

Marcelo, entendendo que a transformação é um elemento intrínseco de nossa sociedade como um todo, qual é a sua visão sobre o peso dessa renovação no setor financeiro, em especial no Brasil?

 

Marcelo Zaniboni - Eu diria que, na área financeira, estamos presenciando uma mudança positiva de empoderamento do cliente e do usuário final. Até pouco tempo atrás, o cliente estava refém de poucas opções disponíveis no mercado, todas muito similares, muito caras e de difícil acesso, o que explica o grande número de pessoas ainda não bancarizadas no Brasil.

 

Com o exponencial avanço de tecnologias e smartphones, as coisas começaram a mudar. As pessoas de veia empreendedora querem romper com esse status e buscam alternativas mais acessíveis, que revolucionam o mercado, abrindo espaço para o surgimento de fintechs. São negócios e startups que estão à disposição 24 horas por dia, sete dias por semana,  e para a toda a população.

 

Hoje, existem soluções que tornam o processo de pagar uma conta mais simples, ágil e barato do que costumava ser há dez anos. Para as empresas, isso significa o poder de alcançar mais satisfação do cliente, redução de custos e outros benefícios que, fundamentalmente, transformam o negócio. Vivemos um momento muito interessante.

 

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É justamente por isso que, recentemente, a Tsys passou por uma reestruturação tecnológica, certo?

 

MZ - Sim, esse período de transformação digital traz muita oportunidade para novos negócios, mas é preciso planejar para executar. O que percebemos, na prática, é que, para continuar expandindo a nossa capacidade de serviço sem fazer investimentos significativos, e ao mesmo tempo baixar o custo de aquisição do equipamento, precisávamos de mais flexibilidade.

 

Então, a base da nossa transformação é a flexibilidade. Mas, aos poucos, estamos deixando todo o nosso legado para trás, renovando a nossa arquitetura de sistemas, abraçando novas tecnologias e construindo um novo data center. No fim, o mercado e os próprios clientes exigem que a empresa mude, caso contrário, será impossível suportar o crescimento do negócio e a demanda dos clientes na era digital.

 

Eu vejo diariamente as transformações acontecendo por conta da tecnologia, mas gosto sempre do olhar externo, especialmente dos especialistas de verticais. Quais mudanças você destaca, na prática?

 

MZ - Na prática, é a velocidade com que as coisas acontecem.  Por exemplo, o tempo de resposta no

processamento das transações foi reduzido em 32%, algo que é imperceptível ao cliente, mas é uma melhoria importante para garantir que a transação aconteça.

O propósito de ter uma elaborada base tecnológica de alta performance é ser mais ágil. E penso que o mais importante de tudo é a satisfação do cliente final. A tecnologia não precisa ser complexa, mas sim uma extensão de qualquer ação natural, como respirar e piscar os olhos. Isso enquanto nós, é claro, seguimos pensando em novas formas de negócios.

 

Parece-me que você encara esse momento, que é, ao mesmo tempo, um desafio e uma oportunidade, com entusiasmo. Sei, por experiência própria, que a mudança de mindset de toda a equipe é importante para encarar a digitalização. Qual é a sua experiência , como líder, nessa virada de cultura?

 

MZ - Nós estamos passamos por uma transformação digital, mas primeiro nós precisávamos garantir que o clientes estivessem no centro de nossas ações. E isso acontece há muito tempo. A preocupação com a satisfação do cliente está no DNA dos nossos colaboradores e está incutida em nossa cultura. Mas agora, mais do que nunca, não existem justificativas para falhas de sistemas, erros de transação, de segurança e outros problemas. Nós estamos lidando com momentos especiais das pessoas, então, a nossa arquitetura de sistemas, o nosso banco de dados e a nossa infraestrutura precisam garantir que o serviço seja entregue com excelência.

 

*Marcelo Sales é Diretor de Arquitetura e Pré-vendas da Hitachi Vantara LATAM

De acordo com um levantamento da McKinsey, vender tornou-se uma ciência de dados e tecnologia

 

por Marcelo Sales*

 

Falamos constantemente que a revolução tecnológica transforma toda a sociedade e as empresas. E isso inclui também a forma de fazer negócios. Segundo um levantamento da McKinsey, o processo de vendas corporativo evoluiu de patamar, passando de arte para ciência.

 

Quem nunca ouviu falar que, para ser um vendedor, é preciso ter talento? Pois, na era digital, vocação não basta. As vendas, no geral, são orientadas por dados e análises avançadas, gerados por meio de ferramentas digitais que ajudam a identificar “o quê, por que e quando” do consumidor. A análise aponta que as empresas que já iniciaram essa técnica chamada de “ciência das vendas B2B” e começaram a superar seus concorrentes de mercado: elas aumentaram em 2,3 vezes o crescimento médio da receita; 3% a 5% o retorno adicional sobre vendas, em relação aos competidores;  e 8% o retorno total aos acionistas do que, também, a média do setor.

 

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Com o uso da internet das coisas, big data e analytics, é possível desenvolver novas oportunidade de vendas. Segundo a McKinsey, nos próximos cinco anos, as empresas com crescimento mais rápido usarão métodos de análise avançada e técnicas de machine learning para lidar com aspectos estratégicos fundamentais, como quais recursos alocar e quais comportamentos priorizar para impulsionar a produtividade de vendas.

 

A partir dessas informações, os líderes se tornam capazes de traçar um perfil de cada cliente, utilizando, ainda, fontes externas, como notícias, dados financeiros públicos e mídias sociais, com o objetivo de ter uma visão integral do consumidor.

 

O estudo ainda aponta que “a análise avançada e o conhecimento cognitivo das máquinas dão acesso a quantidades de dados e capacidade computacional sem precedentes históricos, permitindo-lhes prever com alto grau de precisão as possibilidades de vendas mais valiosas”.

 

Na prática, isso quer dizer que a análise avançada também demanda uma combinação entre  pessoas certas e negócios certos. Além de usar tecnologias, organizações de vanguarda estão associando dados de vendas, clientes e RH para entender as características que estão, estatisticamente, relacionadas com o desempenho de vendas diferenciado.

 

Fala-se de histórico profissional, educação, traços de personalidade, capacidade cognitiva, assim como frequência e duração da interação com o cliente, tempo dedicado a planejamento de vendas, habilidades de escuta, persistência, assunção de riscos e outros aspectos que podem ser definidos pelas empresas.

 

Esse olhar vale tanto para o cenário B2B, quanto para o B2C. Veja o cenário varejista, por exemplo, que já utiliza um conjunto de tecnologias voltadas a fazer venda direcionada, como smart spaces, vídeo inteligência, hot spots e vídeos analíticos e comportamentais, que resultam em milhares de dados passíveis de análises para insights.

 

Com esse tipo de conhecimento, as empresas podem identificar as melhores estratégias para fazer uma venda e tornar a experiência do cliente cada vez mais única e personalizada. No fim, a arte nos negócios será resultado de uma combinação entre habilidade, ciência e tecnologia.

 

*Marcelo Sales é Diretor de Arquitetura e Pré-vendas da Hitachi Vantara LATAM

Para o especialista Cezar Taurion, as empresas não podem mais esperar que o cliente se ajuste à oferta; esse é o primeiro passo da transformação digital

 

por Marcelo Sales*

 

Há alguns anos, com a expansão do uso de smartphones, as empresas passaram a falar do movimento Bring Your Own Device (BYOD, ou traga o seu próprio dispositivo), que provocou inúmeras discussões sobre renovação da arquitetura de sistemas e segurança da informação. Com a mesma rapidez com que surgiu, esse termo caiu em desuso, dando lugar a novas tecnologias e tendências. É o caso da Inteligência Artificial (IA), que, de todas as tecnologias debatidas na atualidade, possui o maior potencial disruptivo.

 

Da mesma forma que o BYOD mexeu com as estruturas tecnológicas corporativas, a IA, ao conquistar os usuários, estimula um novo debate: o que será necessário para que empresas e usuários finais se adaptem a esse mundo que une inteligência humana e artificial? Na visão do consultor e presidente do Instituto de Inteligência Artificial Aplicada (i2a2), Cezar Taurion, assim como os smartphones tornaram-se, rapidamente, parte do nosso dia a dia, em poucos anos, estaremos tão acostumados com a IA.

 

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Entenda a percepção do especialista na entrevista que ele concedeu a este blog:

 

Cezar, a inteligência artificial não afeta apenas as empresas, e a sociedade como um todo, que já está sendo transformada. Mas de que forma a massificação do uso da IA pelo usuário final vai impactar a arquitetura de tecnologia das empresas?

 

Cezar Taurion - A inteligência artificial, de alguma forma, já está em nosso dia a dia,  mesmo que a gente não perceba, por conta de aplicativos como Netflix, Amazon e Uber. Nos próximos cinco a dez anos, com o seu desenvolvimento, outros dispositivos e aplicações ganharão ainda mais força, especialmente no dia a dia organizacional. E isso implica ter a visão clara de que o cliente está no centro do negócio, ou seja, esse é o primeiro passo para entender como a massificação de IA vai mudar o ambiente das organizações.

 

O modelo que guia as empresas, hoje, ainda é o inside out, aquele em que o cliente se ajusta ao que a empresa oferece. É raro, ainda, encontrar organizações que façam o caminho inverso. Essa transformação será a base para entender outras mudanças que esse cenário demanda.

 

Nesse contexto, a arquitetura tecnológica precisa ser extremamente ágil e flexível. Ainda existem empresas que acreditam no paradigma de que qualidade não coexiste com velocidade, mas, como bem sabemos, no mundo digital, tudo está em constante variação. Além disso, é preciso se antecipar às necessidades do cliente o máximo possível, algo que os algoritmos preditivos já permitem fazer.

 

E sob o aspecto de gestão de segurança da informação? O que muda com o surgimento de novas leis, como o GDPR (General Data Protection Regulation, ou Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados)?

 

CT - Segurança da informação sempre será um tema crítico. A tecnologia baseada em dados evoluiu rapidamente e sem a preocupação adequada. Essas leis - como o GDPR, o próprio Marco Civil da Internet, de 2014, e a recente Lei Geral de Proteção de Dados do Brasil - visam garantir que os dados não sejam usados de forma indevida, mantendo a privacidade dos mesmos.

 

A verdade é que todo mundo, de alguma forma, é vigiado 24 horas por dia por conta da internet das coisas e de tecnologias baseadas em ciência de dados e analytics. O ponto central está em saber como balancear a privacidade e a funcionalidade, e essas regras ajudam nisso.

 

No lado empresarial, a equipe de segurança da informação vai ter cada vez mais trabalho, obviamente, para garantir a proteção do ambiente corporativo e dos dados críticos da empresa. As políticas precisam estar sempre atualizadas, mitigando riscos e garantindo atualizações contínuas, especialmente na era da IA.

 

Quais são os principais desafios que devem ser superados, hoje, para que as empresas consigam absorver o real valor da inteligência artificial?

 

CT - O primeiro desafio das organizações é compreender que estamos no mundo digital. Ponto. Por incrível que pareça, a grande maioria das empresas ainda não sabe o que é esse mundo. A transformação digital não trata apenas de tecnologia, mas também de transformação dos negócios por meio da tecnologia. O que mais se vê no mercado, entretanto, são empresas que se dizem digitais, mas não possuem um negócio verdadeiramente digital porque não pensam de maneira digital.

 

Costumo usar um exemplo clássico: em 1910, Henry Ford desenvolveu o primeiro modelo de linha de produção de montagem, um clássico que foi reproduzido no mundo todo durante anos. É de se pensar que, com tanta evolução tecnológica, esse modelo inexiste em fábricas de produção, mas se formos a uma grande montadora, hoje, o modelo continua o mesmo, com a única diferença de que as pessoas foram substituídas por robôs. Percebe que isso não é transformação digital? É apenas automação.

 

Falar de inovação, inteligência artificial e mudança de mentalidade no negócio é ir sempre além. Voltando ao exemplo de produção automobilística, esse ir além pode ser usar impressoras 3D para imprimir carros personalizados, com as características do comprador, por exemplo. Falo de uma empresa real. Isso é inovador e transforma a sociedade.

 

É claro que essas mudanças não acontecem de um dia para o outro. A tecnologia permite fazer várias coisas diferentes e a convergência entre múltiplas opções resulta em possibilidades extraordinárias. Combine tudo isso com o avanço da IA e os insights que os dados podem fornecer e veremos disrupções acontecendo na prática, com mais celeridade. Mas é preciso ter visão do negócio no futuro e senso de urgência para saber como utilizar essas informações de maneira sagaz.

 

Estamos atrasados?

 

CT - Olha, essas mudanças vão acontecer, de uma forma ou de outra. Em cinco ou dez anos, nós não estaremos falando sobre inteligência artificial, porque esse conceito já será inerente à nossa sociedade. A evolução é exponencial e os próximos 20 anos apresentarão mudanças tão ou mais disruptivas das que vivemos nas últimas seis décadas. Mas não adianta falarmos sobre inteligência artificial e dados se os profissionais ainda não compreenderam que eles precisam olhar para o negócio de uma forma diferente. O ponto de virada já passou há muito tempo: ou muda, ou se perde.

 

*Marcelo Sales é Diretor de Arquitetura e Pré-vendas da Hitachi Vantara LATAM

A modernização de data centers está diretamente relacionada ao progresso da jornada de dados e permite que as organizações e as pessoas arrisquem e inovem mais

 

por Marcelo Sales*

 

A modernização de data centers é um passo essencial na jornada de dados, que está a cada dia mais integrada com a estratégia de negócios das organizações. Em uma recente conversa com o meu colega de Hitachi Vantara, Paul Lewis, vice-presidente global de indústria e arquitetura corporativa da empresa, ele lembrou que esse movimento envolve não só a aquisição de recursos tecnológicos, mas também a diversificação da estratégia de TI, com uso de hardware e software para resolução de problemas de negócios.

 

Leia abaixo alguns dos principais tópicos de nossa conversa:

 

Marcelo -  Paul, por que é tão importante falar sobre a modernização do data center?

 

O objetivo fundamental da estratégia de modernização do data center é liberar o valor dos dados por meio da integração de silos de dados. A ideia é mudar, fundamentalmente, a perspectiva dos dados, que ainda são considerados apenas “efeito colateral” de um aplicativo, por exemplo, ganhando valor real para o propósito e objetivo da organização de TI.

 

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Marcelo - E de que maneira a inteligência artificial contribui para evitar perdas de dados ou riscos de inatividade, por exemplo?

 

Paul - Existem desafios óbvios com a operação de um data center. Muitas funções tendem a ser táticas e reativas: verificar o desempenho de um aplicativo somente depois de um problema ser informado por um usuário final; adicionar capacidade à infraestrutura apenas quando um projeto o exige; ou, ainda, identificar o limite de armazenamento só quando o alerta sinaliza 90% de uso. Ao envolver milhares de aplicativos, servidores ou bancos de dados, as operações de um data center podem se tornar apenas resoluções de problemas, funcionando para apagar incêndios.

 

Ao adicionar inteligência artificial às operações do data center, é possível produzir um ciclo de monitoramento e automação para problemas comuns e recorrentes. Além disso, a IA ajudaria a analisar, constantemente, os recursos para identificar riscos e otimizar o desempenho, reunir análises para melhorar a tomada de decisões e definir o planejamento orçamentário. A automação, então, recomendaria ações com base nas melhores práticas e forneceria reparos, conforme necessário, garantindo uma implementação consistente.

 

Marcelo - Aliás, falar sobre dados é falar também sobre segurança da informação. Sabemos que empresas do mundo todo se viram compelidas a investir em cibersegurança, recentemente, com o início da vigência do Regulamento Geral de Proteção de Dados (General Data Protection Regulation, ou GDPR) - lei da União Europeia que atinge também as organizações que atuam, de alguma forma, na região. Como você avalia essa questão?

 

Paul - Existe certa distinção entre os conceitos de privacidade de dados, segurança de dados e proteção de dados - que são agrupados sob um mesmo guarda-chuva de governança de dados. Essas diferenças passam por segurança física e lógica, gerenciamento e classificação de dados, recuperação operacional ou de desastres, privacidade e cumprimento de auditoria normativa e até o gerenciamento do ciclo de vida dos dados.

 

A proteção de dados é complicada. A realização de backups e recuperações costumava ser rotineira quando a infraestrutura de TI era razoavelmente simples e homogênea. Primeiro, existem muitos tipos de dados, aplicativos e plataformas (físicas, virtuais, nuvem) e cada um requer métodos e processos específicos para proteger os dados corretamente, geralmente exigindo scripts ou fazendo interface com APIs. Depois, há os diferentes tipos de ameaças, sendo que cada uma delas demanda uma abordagem diferente para proteção e recuperação.

 

O mesmo acontece com locais diferentes - data centers, sedes regionais, escritórios remotos e filiais -, cada um com diferentes níveis de requisitos e de habilidades locais disponíveis. Ou seja, nem todos os dados têm a mesma origem de formação, o que significa que a sua leitura e compreensão vai precisar de serviços diferentes. É por isso que são criados os Objetivos do Nível de Serviço (Service Level Objectives, ou  SLOs), definidos para atender às necessidades, às vezes contraditórias, do negócio.

 

Finalmente, há sempre a limitação do orçamento. A aplicação das melhores técnicas de proteção pode ser custosa. Por isso, utilize as melhores e mais rápidas apenas no caso dos dados mais críticos - e use recursos menos dispendiosos para dados menos importantes.

 

Nenhuma tecnologia ou solução funciona para tudo, por isso, você precisa de uma estratégia diversificada: backup completo, incremental ou uma combinação de ambos; a Proteção Contínua de Dados (PCD), que captura todas as alterações à medida que são gravadas no disco; além das tecnologias instantâneas e de replicação. O armazenamento em nuvem também está se tornando um alvo popular, embora potencialmente arriscado, para backup e arquivamento.

 

Já a privacidade de dados é a combinação de implementação de ferramentas, processos e informações para manter a propriedade e o controle dos dados do cliente. E, finalmente, a segurança de dados está em diversos processos: físico, lógico, em repouso, no transporte e, é claro, se estende além da organização em fornecedores e ecossistema como um todo. A segurança cibernética implementou tecnologias de IA para detecção de intrusos, ou análise de séries de eventos combinados, além de rastrear agentes de origem e avaliar o impacto técnico ou comercial do roubo.

 

Marcelo - Veja, Paul, o cenário norte americano é, ainda, bastante diferente do cenário latino americano. Em sua visão, as empresas estão preparadas para essa modernização ou ainda precisam finalizar alguma “lição de casa” antes de partirem, efetivamente, para tecnologias mais inteligentes?

 

Paul - Como acontece com a maioria das mudanças tecnológicas ou inovações, existe um amplo espectro de prontidão e capacidade. Em termos de prontidão, a organização pode ter situações monetárias ou econômicas que focalizam as atenções em “manter as luzes acesas”.

 

Algumas organizações podem contar com centenas ou milhares de funcionários de longa data, de modo que o gerenciamento esteja voltado a programas relacionados à reciclagem, melhoria de qualificações ou substituição da equipe. Algumas organizações dividem a TI em “executar” e “construir”, ou até mesmo em um terceiro pilar, o de “inovar” - o Gartner denomina essa divisão como TI Bimodal, ou dividida em modos 1 e 2. Essas organizações dividem sua atenção na manutenção da empresa a longo prazo e na criação de estratégias para modernizar os negócios.

 

Felizmente, a modernização não tende a ser um projeto de grande escala, que perdura por vários anos. Se implementada em um programa de inovação, a modernização costuma acontecer na dinâmica “falhe e conserte de maneira rápida”, com equipes ágeis e focadas na criação de valor real para o negócio. A inovação é um ambiente experimental e de expansão, que garante que você não precise efetuar grandes mudanças ou fazer muita lição de casa para implementar soluções mais novas e inteligentes.

 

Marcelo -  O que a modernização de data centers significa para o avanço de uma sociedade que - muito provavelmente - será organizada a partir dos insights produzidos por dados?

 

Paul - A modernização dos data centers tem um impacto social.  Os custos com data centers, por exemplo, são muito altos, mas a modernização permite tornar esse processo mais eficaz em dois momentos: primeiro, no gerenciamento do uso da energia; segundo, no resfriamento do data center, que é essencial para que todo o processo funcione corretamente. Ou seja, de maneira simples, torna-se possível usar menos energia elétrica no data center e, até mesmo, escolher opções alternativas - como eólica e solar -, também reduzindo ou eliminando emissões energéticas.

 

Além disso, um data center modernizado permite a consolidação de edifícios e pessoas em equipes menores, abrindo espaço para outros empreendimentos. E, por fim, possibilita que as pessoas tirem o foco de operações e tarefas tediosas e concentrem suas energias em projetos inovadores. As pessoas podem, agora, ter tempo para inventar um caminho melhor.

 

*Marcelo Sales é Diretor de Arquitetura e Pré-vendas da Hitachi Vantara LATAM

Extrair valor dos dados, o que representa a última fase dessa caminhada,  requer o compromisso com alguns passos anteriores e elementares. Veja quais são eles

 

por Marcelo Sales*

 

A jornada de dados tornou-se um dos assuntos mais debatidos no processo de transformação digital. Essa caminhada dos negócios, que chamo de stairway to value (escada para o valor), precisa ser percorrida fase a fase, de forma que todos os aspectos essenciais sejam contemplados e que a organização se prepare, efetivamente, para aproveitar os insights que serão gerados na última milha do percurso. 

 

Antes de tudo, é preciso fazer a lição de casa, ou seja, a organização e preparação dos dados recolhidos de diversas fontes, sejam elas estruturadas ou não-estruturadas. Trata-se do momento propício para que empresas e profissionais aprendam a lidar com os dados e, a partir disso, a conduzir as etapas seguintes - armazenar, enriquecer, ativar e monetizar as informações provenientes.

 

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Veja, há poucos anos, as bases de dados existiam apenas para armazenamento. Hoje, esses recursos são fundamentais para dar corpo à transformação digital, uma vez que a matéria-prima de informações valiosas para os negócios estará lá. E para extrair vantagem desse futuro moldado pelos dados, precisamos nos atentar a alguns pilares. Abaixo, destaquei quatro deles.

 

Modernização do data center - é o primeiro passo para a otimização do armazenamento e processamento de dados. É preciso garantir que a infraestrutura tecnológica seja flexível e que funcione para diversas aplicações e ambientes multicloud, permitindo, por exemplo, a inserção de futuras tecnologias que facilitarão a utilização dos dados. Resumindo, a infraestrutura de TI deve ser ágil e não pode ser um fator limitador para a transformação digital

 

Governança de dados inteligente - entram, nesse pilar, as soluções e ferramentas que permitem simplificar a conformidade dos dados e protegê-los onde quer que estejam – on premise ou na nuvem. Com a governança, os dados não-estruturados e, por vezes, chamados de obscuros, tornam-se mais claros, muito em função  do trabalho do engenheiros de dados. Além disso, entram em cena os metadados, ou dados sobre dados, que permitem compreender informações que são inteligíveis apenas por computadores.

 

Insights gerados a partir dos dados - após a estruturação, a ciência de dados entra com profissionais especializados, que podem auxiliar na leitura e extração de informações e valores do que, antes, era uma matéria bruta, aparentemente sem valor. Nesse momento, torna-se possível unir os conhecimentos humano e artificial para a tomada de decisões assertivas para o negócio.

 

Monetização dos dados – esse é o estado da arte onde, além de aumentar a eficiência da tomada de decisão via insights, os dados permitem também a geração de valor financeiro, seja com a criação de novas fontes de receita ou mesmo pela da redução de custos e riscos.

 

O principal desafio, hoje, é ter os quatro pilares em funcionamento, algo que, por si só, requer a superação de obstáculos. E não há alternativa.  A transformação digital é um caminho sem volta, que vai demandar cada vez mais acuracidade para criar novos mercados e responder a demandas criadas com o surgimento das novas tecnologias. Enquanto isso, os desafios comuns continuam: enfrentar a concorrência, buscar aumento de receita e redução de custo, gerenciar riscos. Esse é o nosso novo mundo.

 

*Marcelo Sales é Diretor de Arquitetura e Pré-vendas da Hitachi Vantara LATAM