Marcelo Sales

“Muita gente fala sobre analytics sem saber utilizar e trabalhar corretamente os dados”

Blog Post created by Marcelo Sales Employee on Jan 16, 2018

Cristina Brisola, country manager da Hitachi Vantara, fala sobre a demanda por reposicionamento cultural e de mindset em uma estratégia de dados

 

Marcelo Sales*

 

A era digital pode ser chamada também de era do cliente, que espera das empresas com as quais se relaciona experiências únicas e soluções customizadas. Uma predição do Gartner, inclusive, aponta que, até 2020, 40% de todos os projetos de TI que envolvam análise de dados estarão relacionados a essa demanda. Em outras palavras, a estratégia de negócios das companhias passará a ser definida pelo uso inteligente das informações, de forma a fidelizar clientes e ganhar competitividade no mercado.

 

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Mais do que armazenar as informações, captadas diariamente por centenas de milhares de fontes, estou falando de uma cultura empresarial que utiliza os dados para inserir, verdadeiramente, as organizações na era digital. Esse foi o assunto de uma recente conversa com Cristina Brisola, minha colega e country manager da Hitachi Vantara no Brasil. Falamos sobre alguns dos principais aspectos exigidos durante o processo de transformação das empresas via estratégia de dados. Agora, divido aqui algumas dessas reflexões e da visão da Cristina.

 

Marcelo - Cristina, todos falam em transformação. Todos querem entrar de cabeça no mundo digital e partir direto para a discussão de tecnologias inovadoras, como inteligência artificial e IoT. A questão é que a mudança deve passar antes por um pacote completo de reposicionamento cultural e de mindset. O que faz parte desse conjunto?

 

Cristina - Estamos passando por um momento divisor. Por um lado, a TI tradicional com serviços que já passaram por uma comoditização, mas que ainda são fundamentais para o operacional das empresas; por outro, a latente necessidade por soluções unificadas e que considerem a análise e o gerenciamento de dados para melhor posicionamento no mercado.

 

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Muita gente fala sobre analytics sem saber utilizar e trabalhar corretamente os dados. De fato, a transformação não está relacionada apenas à inserção da companhia no mundo digital. A adequada comunicação da estratégia de dados demanda software e uma vertente de conhecimento chamada ciência de dados, que engloba o domínio de métodos e processos científicos para auxiliar no processo de extração de insights estratégicos da base de dados armazenada. Este é um momento de abertura de espaço para novos profissionais especializados nessa ciência, incluindo o chefe  de dados (chief data officer, ou CDO).

 

Falamos também sobre uma mudança no perfil dos profissionais de TI e vendas, que deixam de ter uma visão totalmente técnica, para considerarem também o planejamento de negócios da empresa. No mundo orientado pela estratégia, o profundo conhecimento no business do cliente significa encontrar os reais desafios e oferecer soluções que não atendam apenas a uma demanda pontual, mas que propiciem experiências únicas.

 

Marcelo - Você falou justamente sobre o tendão de Aquiles da estratégia de dados: utilizar os insights para propiciar soluções para particularizar o atendimento. O que não é uma tarefa simples...

 

Cristina - Por isso é  importante sair do buzzword e da teoria. Pensar em como toda a concepção de estratégia de dados se materializa no dia a dia do cliente está relacionado ao conhecimento puro. Não estamos falando apenas da ciência de dados, é também todo o histórico acumulado por anos de experiência no mercado de tecnologia, é saber exatamente como utilizar o banco de informações registradas e conseguir extrair boas ideias para o negócio.

 

A verdade é que, neste momento, precisamos pensar em materialização de projetos que sigam uma cronologia: primeiro entender a real necessidade do cliente, depois cruzar todas as informações provenientes das mais diversas fontes e, por fim, com a ajuda de softwares e profissionais preparados, aplicar as soluções. É assim que saímos do etéreo e começamos a falar de casos de sucesso.

 

Marcelo - Saindo apenas da discussão e partindo para a execução. Qual é o primeiro passo da estruturação estratégica de dados?

 

Cristina - Primeiro é preciso coordenar os dados. A unificação via software das informações espalhadas dentre as mais diversas áreas das empresas vai criar o data lake, um repositório de informações estruturadas e não estruturadas que vai servir de base para o trabalho do cientista de dados.

 

Não vamos esquecer, entretanto, que estamos no início da Quarta Revolução Industrial, como denominou o fundador do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwad, portanto, além desse conhecimento de negócios do ser humano, a necessidade de ferramentas que organizem e façam a leitura do volume de dados é de extrema importância. São mecanismos que diminuem o intervalo de tempo de processamento de dados, ao mesmo tempo em que viabilizam o início do planejamento de negócios e novos comandos considerando inteligência artificial e IoT, por exemplo. Com o tempo, vamos falar de smart data centers, com processamento de dados automatizado em uma camada constante de analytics.

 

Marcelo - O compartilhamento também faz parte deste momento, não?

 

Cristina - Falar sobre a estratégia de dados é falar sobre parcerias, justamente por focar na oferta da melhor experiência para o cliente e soluções end to end. Faz muito sentido unir expertise  para co-criar o projeto com empresas que possuem escalabilidade em suas determinadas áreas.

 

O mercado de tecnologia vai se organizar, cada vez mais, em ecossistemas estratégicos, por dois principais motivos. O primeiro é focado no cliente. Ele busca um único ponto de contato para fazer o gerenciamento entre as diversas soluções, ferramentas e serviços necessários. Nesse momento, os integradores entram como os responsáveis em fornecer as melhores práticas e produtos no mercado. E o segundo está relacionado justamente à pulverização do conhecimento e soluções e à comunicação com o mercado. Parcerias bem sucedidas são aquelas selecionadas com cuidado e que, de maneira indireta, aumentam exponencialmente relacionamento e credibilidade.

 

Marcelo - Falamos sobre CTO e CDO, mas não citamos os CIOs, que em meio à toda discussão sobre transformação do mercado seguem em busca do reposicionamento estratégico. O que se espera deles?

 

Cristina - Já há alguns anos, os executivos vêm trabalhando para posicionar a TI muito mais como uma parceira do negócio e menos como centro de custos. Eles não podem, de forma alguma, se perder entre tantos dados. 

 

O profissional deve buscar estar mais próximo das áreas de produtos e comerciais da empresa, para trazer resultados financeiros que auxiliem e deem respaldo à estratégia de dados e ao posicionamento digital da organização. Além disso, os CIOs podem projetar as empresas em que atuam e a própria imagem como influenciadores de mercado, por isso, devem fomentar temas como inovação e futuro, trabalhando conceitos como agile, que fazem parte do processo de disrupção.

 

*Marcelo Sales é Diretor de Produtos e Soluções da Hitachi Vantara LATAM

 

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