Marcelo Sales

“O papel da tecnologia é fazer com que a performance seja condizente com o nível de criticidade da indústria de energia”

Blog Post created by Marcelo Sales Employee on May 21, 2018

Marcio Felix, gerente de tecnologia e segurança da informação da CPFL, fala sobre como a transformação no setor parte da automatização de processos e chega à estratégia de dados para inovação nas áreas de negócios

 

por Marcelo Sales*

 

No centro da ebulição tecnológica, a Internet das Coisas (Internet of Things, ou IoT) e a Inteligência Artificial (AI) vêm conquistando o status de ativos principais para a transformação digital. Mais do que automatizar processos, a implementação de dispositivos conectados e inteligentes pode causar impacto na forma como cada empresa atua e em seu portfólio de serviços ou produtos. Um bom exemplo está no segmento de Utilities - que engloba energia, gás e água - e que deve movimentar cerca de U$S 73 bilhões em soluções voltadas para IoT até o final de 2018, segundo a IDC.

 

Em uma conversa com Marcio Felix, gerente de tecnologia e segurança da informação da CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz), sobre como a transformação digital está impactando a indústria de energia, busquei entender como a tecnologia impulsiona os avanços e as necessidades do setor, tão crítico e vital para o funcionamento da sociedade.

 

Marcelo - Qual a influência e o papel da tecnologia no dia a dia de empresas do setor?

 

Marcio - Energia é um ativo importante para a sociedade em geral e interfere diretamente no funcionamento de hospitais, serviços públicos, aeroportos, etc. É um serviço que possui grande criticidade e precisa, constantemente, de melhorias, ao mesmo tempo em que mantém eficiência e economia de recursos, sem causar impacto ambiental.

 

O desafio é enorme e um dos principais problemas do setor é lidar com os momentos de interrupção no fornecimento de energia, porque afeta diretamente empresas e a população em geral, além de impactar significativamente os custos da própria indústria. O papel da tecnologia aqui é minimizar ao máximo o tempo de duração e a quantidade de vezes que esses eventos ocorrem, deixando esses indicadores em patamares condizentes com o nível de criticidade da indústria.

 

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Marcelo - Na prática, como a tecnologia pode transformar a indústria?

Marcio - É possível otimizar todos os processos do âmbito energético, desde a geração, até a distribuição. Por exemplo, ao utilizar uma plataforma tecnológica para gestão e automação da rede elétrica conseguimos monitorar, em tempo real, a distribuição de energia para nossos clientes. Além disso, é possível também que a própria rede se recupere de falhas de forma autônoma, a partir da aplicação de tecnologias de “self healing”.[1]

Além disso, falamos de uma cadeia produtiva, então, os processos internos também se tornam mais integrados e organizados. Estamos falando, efetivamente, de armazenar e acessar dados importantes para a funcionalidade e disponibilidade energética. Esse processo automatizado de organização permite que as informações sejam utilizadas para aumentar a velocidade dos processos executados pelos colaboradores, permitindo mais troca de informações entre diferentes setores, melhorando a integração, otimizando a cadeia produtiva. É um ciclo.

Marcelo - Embarcar tecnologias, dispositivos e sistemas na rede elétrica significa criar uma rede conectada, a chamada smart grid, certo?

 

Marcio - Sim, falamos da rede conectada. Além de conectar dispositivos, a expansão da smart grid permite a inclusão de tecnologia nas redes de distribuição, garantindo alta disponibilidade e rápida resolução de problemas, resultando na melhoria da qualidade de energia fornecida aos clientes. O avanço das tecnologias empregadas no data center também ajuda nesse sentido, já que aumentam a performance dos sistemas de informação que apoiam as áreas operacionais, e também possibilitam o uso de informações mais detalhadas para tomada de decisões estratégicas.

 

Outra mudança significativa está na otimização do espaço físico do data center, já que, com a transformação digital, é viável deixar de usar um equipamento grande, que ocupava muito espaço no data center, otimizando custos e diminuindo o consumo de energia, por exemplo.

 

Marcelo - Marcio, acredito que a tecnologia sempre foi importante para os negócios, mas essa união vem ganhando tração nos últimos anos e tende a se tornar ainda mais importante nos próximos...qual a sua visão sobre isso?

É porque hoje falamos de cocriação junto com as áreas de negócios e com os parceiros. Não adianta falar de inovação sem atrelar esse conceito à necessidade do cliente, com prestação de serviço de qualidade e segurança. E isso vale para todo mundo, não apenas para o setor em que atuo.

 

Na CPFL, temos uma rotina de manutenção de um determinado sistema crítico que gerencia todo o mapa do conjunto elétrico. Essa rotina é definida por um conjunto de ações que têm por finalidade manter as informações de toda a rede elétrica atualizadas. No passado, a conclusão desses procedimentos levava dias, atrasando todo o processo de desenvolvimento de projetos para novas instalações para organizações ou companhias.

A demora nesse processo impactava também o atendimento do call center e a segurança na atuação dos eletricistas, que precisam ser abastecidos pelas informações do Centro de Operação do Sistema quando atuam em campo. Com o uso da tecnologia de discos flash, o tempo de execução desse processo passou de dias para apenas poucas horas, trazendo muito mais segurança para a operação da empresa.

Ao aperfeiçoar os processos, temos uma visão geral do negócio e prontamente identificamos pontos cruciais de melhoria. Por isso, ao mesmo tempo em que automatizamos processos, também alavancam os resultados das áreas de negócios.

*Marcelo Sales é Diretor de Produtos e Soluções da Hitachi Vantara LATAM

 

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