Marcelo Sales

“Ao adicionar inteligência artificial às operações do data center, é possível produzir um ciclo de monitoramento e automação para problemas comuns e recorrentes”

Blog Post created by Marcelo Sales Employee on Jul 31, 2018

A modernização de data centers está diretamente relacionada ao progresso da jornada de dados e permite que as organizações e as pessoas arrisquem e inovem mais

 

por Marcelo Sales*

 

A modernização de data centers é um passo essencial na jornada de dados, que está a cada dia mais integrada com a estratégia de negócios das organizações. Em uma recente conversa com o meu colega de Hitachi Vantara, Paul Lewis, vice-presidente global de indústria e arquitetura corporativa da empresa, ele lembrou que esse movimento envolve não só a aquisição de recursos tecnológicos, mas também a diversificação da estratégia de TI, com uso de hardware e software para resolução de problemas de negócios.

 

Leia abaixo alguns dos principais tópicos de nossa conversa:

 

Marcelo -  Paul, por que é tão importante falar sobre a modernização do data center?

 

O objetivo fundamental da estratégia de modernização do data center é liberar o valor dos dados por meio da integração de silos de dados. A ideia é mudar, fundamentalmente, a perspectiva dos dados, que ainda são considerados apenas “efeito colateral” de um aplicativo, por exemplo, ganhando valor real para o propósito e objetivo da organização de TI.

 

15_modernização_hitachi vantara.jpg

 

Marcelo - E de que maneira a inteligência artificial contribui para evitar perdas de dados ou riscos de inatividade, por exemplo?

 

Paul - Existem desafios óbvios com a operação de um data center. Muitas funções tendem a ser táticas e reativas: verificar o desempenho de um aplicativo somente depois de um problema ser informado por um usuário final; adicionar capacidade à infraestrutura apenas quando um projeto o exige; ou, ainda, identificar o limite de armazenamento só quando o alerta sinaliza 90% de uso. Ao envolver milhares de aplicativos, servidores ou bancos de dados, as operações de um data center podem se tornar apenas resoluções de problemas, funcionando para apagar incêndios.

 

Ao adicionar inteligência artificial às operações do data center, é possível produzir um ciclo de monitoramento e automação para problemas comuns e recorrentes. Além disso, a IA ajudaria a analisar, constantemente, os recursos para identificar riscos e otimizar o desempenho, reunir análises para melhorar a tomada de decisões e definir o planejamento orçamentário. A automação, então, recomendaria ações com base nas melhores práticas e forneceria reparos, conforme necessário, garantindo uma implementação consistente.

 

Marcelo - Aliás, falar sobre dados é falar também sobre segurança da informação. Sabemos que empresas do mundo todo se viram compelidas a investir em cibersegurança, recentemente, com o início da vigência do Regulamento Geral de Proteção de Dados (General Data Protection Regulation, ou GDPR) - lei da União Europeia que atinge também as organizações que atuam, de alguma forma, na região. Como você avalia essa questão?

 

Paul - Existe certa distinção entre os conceitos de privacidade de dados, segurança de dados e proteção de dados - que são agrupados sob um mesmo guarda-chuva de governança de dados. Essas diferenças passam por segurança física e lógica, gerenciamento e classificação de dados, recuperação operacional ou de desastres, privacidade e cumprimento de auditoria normativa e até o gerenciamento do ciclo de vida dos dados.

 

A proteção de dados é complicada. A realização de backups e recuperações costumava ser rotineira quando a infraestrutura de TI era razoavelmente simples e homogênea. Primeiro, existem muitos tipos de dados, aplicativos e plataformas (físicas, virtuais, nuvem) e cada um requer métodos e processos específicos para proteger os dados corretamente, geralmente exigindo scripts ou fazendo interface com APIs. Depois, há os diferentes tipos de ameaças, sendo que cada uma delas demanda uma abordagem diferente para proteção e recuperação.

 

O mesmo acontece com locais diferentes - data centers, sedes regionais, escritórios remotos e filiais -, cada um com diferentes níveis de requisitos e de habilidades locais disponíveis. Ou seja, nem todos os dados têm a mesma origem de formação, o que significa que a sua leitura e compreensão vai precisar de serviços diferentes. É por isso que são criados os Objetivos do Nível de Serviço (Service Level Objectives, ou  SLOs), definidos para atender às necessidades, às vezes contraditórias, do negócio.

 

Finalmente, há sempre a limitação do orçamento. A aplicação das melhores técnicas de proteção pode ser custosa. Por isso, utilize as melhores e mais rápidas apenas no caso dos dados mais críticos - e use recursos menos dispendiosos para dados menos importantes.

 

Nenhuma tecnologia ou solução funciona para tudo, por isso, você precisa de uma estratégia diversificada: backup completo, incremental ou uma combinação de ambos; a Proteção Contínua de Dados (PCD), que captura todas as alterações à medida que são gravadas no disco; além das tecnologias instantâneas e de replicação. O armazenamento em nuvem também está se tornando um alvo popular, embora potencialmente arriscado, para backup e arquivamento.

 

Já a privacidade de dados é a combinação de implementação de ferramentas, processos e informações para manter a propriedade e o controle dos dados do cliente. E, finalmente, a segurança de dados está em diversos processos: físico, lógico, em repouso, no transporte e, é claro, se estende além da organização em fornecedores e ecossistema como um todo. A segurança cibernética implementou tecnologias de IA para detecção de intrusos, ou análise de séries de eventos combinados, além de rastrear agentes de origem e avaliar o impacto técnico ou comercial do roubo.

 

Marcelo - Veja, Paul, o cenário norte americano é, ainda, bastante diferente do cenário latino americano. Em sua visão, as empresas estão preparadas para essa modernização ou ainda precisam finalizar alguma “lição de casa” antes de partirem, efetivamente, para tecnologias mais inteligentes?

 

Paul - Como acontece com a maioria das mudanças tecnológicas ou inovações, existe um amplo espectro de prontidão e capacidade. Em termos de prontidão, a organização pode ter situações monetárias ou econômicas que focalizam as atenções em “manter as luzes acesas”.

 

Algumas organizações podem contar com centenas ou milhares de funcionários de longa data, de modo que o gerenciamento esteja voltado a programas relacionados à reciclagem, melhoria de qualificações ou substituição da equipe. Algumas organizações dividem a TI em “executar” e “construir”, ou até mesmo em um terceiro pilar, o de “inovar” - o Gartner denomina essa divisão como TI Bimodal, ou dividida em modos 1 e 2. Essas organizações dividem sua atenção na manutenção da empresa a longo prazo e na criação de estratégias para modernizar os negócios.

 

Felizmente, a modernização não tende a ser um projeto de grande escala, que perdura por vários anos. Se implementada em um programa de inovação, a modernização costuma acontecer na dinâmica “falhe e conserte de maneira rápida”, com equipes ágeis e focadas na criação de valor real para o negócio. A inovação é um ambiente experimental e de expansão, que garante que você não precise efetuar grandes mudanças ou fazer muita lição de casa para implementar soluções mais novas e inteligentes.

 

Marcelo -  O que a modernização de data centers significa para o avanço de uma sociedade que - muito provavelmente - será organizada a partir dos insights produzidos por dados?

 

Paul - A modernização dos data centers tem um impacto social.  Os custos com data centers, por exemplo, são muito altos, mas a modernização permite tornar esse processo mais eficaz em dois momentos: primeiro, no gerenciamento do uso da energia; segundo, no resfriamento do data center, que é essencial para que todo o processo funcione corretamente. Ou seja, de maneira simples, torna-se possível usar menos energia elétrica no data center e, até mesmo, escolher opções alternativas - como eólica e solar -, também reduzindo ou eliminando emissões energéticas.

 

Além disso, um data center modernizado permite a consolidação de edifícios e pessoas em equipes menores, abrindo espaço para outros empreendimentos. E, por fim, possibilita que as pessoas tirem o foco de operações e tarefas tediosas e concentrem suas energias em projetos inovadores. As pessoas podem, agora, ter tempo para inventar um caminho melhor.

 

*Marcelo Sales é Diretor de Arquitetura e Pré-vendas da Hitachi Vantara LATAM

Outcomes