Marcelo Sales

Agricultura da informação: como otimizar a produção de alimentos usando dados

Blog Post created by Marcelo Sales Employee on Oct 22, 2018

Até 2050, seremos quase 10 bilhões de pessoas no mundo; a tecnologia da informação pode ajudar a otimizar o cultivo, mas ainda é preciso repensar a infraestrutura de telecomunicações

 

por Marcelo Sales*

 

A transformação digital e a consequente transição para a Indústria 4.0 chegarão, cedo ou tarde, a todos os lugares, inclusive no campo. Prova disso é que, nos últimos anos, ouvimos falar bastante sobre a agricultura de precisão, que está associado à utilização de dispositivos e soluções tecnológicas avançadas para suportar o desenvolvimento da atividade, com base nas condições e na alteração do solo e do clima, dentre outros fatores. Mas é preciso ir além. Com isso, a discussão sobre o uso dos dados no poder de decisão nos negócios também atinge a agricultura.

 

A necessidade do setor por essa evolução tem uma origem clara: é impossível manter o desmatamento para o aumento das áreas de cultivo agropecuário, na tentativa perigosa de responder ao crescimento da população mundial - de acordo com dados da ONU, o planeta terá 8,6 bilhões de pessoas em 2030 e 9,8 bilhões em 2050. Além disso, o perfil nutricional de países populosos, como Índia e China, tende a apresentar o aumento no consumo de proteína animal, por consequência das mudanças socioeconômicas.

 

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Produzir alimentos para garantir o sustento desse enorme contingente significa, assim, potencializar os resultados das regiões que já são exploradas. Ou seja, é preciso aumentar a produtividade. Nesse contexto, destaca-se o uso de inteligência artificial, machine learning, deep learning, engenharia de dados, big data, blockchain e internet das coisas - sem contar outras tecnologias ainda mais avançadas que, certamente, surgirão com o decorrer do tempo.

 

A guinada da agricultura de precisão em direção à agricultura da informação pressupõe o cruzamento de dados oriundos de diversas fontes e de acordo com culturas vegetais que requerem determinados tipos de solo, previsão climática, sementes e outras questões que contribuem para a tomada de decisão a favor do aumento de produtividade.

 

Mas, como toda novidade que precisa se assentar, ainda é preciso promover avanços para criar a agricultura digital, especialmente em termos de conectividade e telecomunicações. Grande parte dos dados serão provenientes das modernas máquinas agrícolas, muitas delas já equipadas com sensores e dispositivos de IoT – mas que precisam estar conectadas para poder entregar seu potencial pleno. No entanto, o modelo regulatório de telecomunicações existente pouco incentiva empresas tradicionais do ramo a levar seus serviços para o campo. Em países pequenos, como Japão e Holanda, por exemplo, é mais fácil utilizar a rede pública de telecomunicações nas fazendas, mas, em países extensos como o Brasil - com quilômetros sem qualquer sinal de comunicação -, o desafio é grande.

 

Iniciar um debate sobre regulações governamentais, a fim de que as propriedades rurais consigam ter pontos de comunicação, torna-se urgente. Mas talvez não seja possível esperar e, possivelmente, o setor agrícola terá que se organizar por si mesmo. Nenhuma novidade até aí, isso já foi feito antes - ao exemplo da eletrificação rural entre as décadas de 1980 e 1990.

 

É possível que vejamos em breve cooperativas de infraestrutura sendo criadas para levar a conectividade ao campo. Assim, será possível habilitar o desenvolvimento de uma infraestrutura de TI robusta, com acesso à internet e à nuvem - o básico para ultrapassarmos as barreiras iniciais da Quarta Revolução Industrial, nesse caso, aplicada à agricultura.

 

*Marcelo Sales é Diretor de Arquitetura e Pré-vendas da Hitachi Vantara LATAM

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